
Um crime bárbaro abalou a tranquilidade do Pantanal de Corumbá neste final de semana. Eliana Guanes, de 59 anos, foi brutalmente assassinada, tendo 90% do corpo queimado, em um caso que configura o 15º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul de janeiro até agora. O autor do crime, Lourenço Xavier, de 54 anos, colega de trabalho da vítima, foi preso em flagrante pela equipe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) em uma fazenda vizinha ao local do crime.
O incidente ocorreu na região da Nhecolândia, uma área de difícil acesso devido aos alagamentos, o que dificultou o resgate. Segundo o Corpo de Bombeiros, Eliana foi atacada por volta das 14h de sexta-feira (6 de junho de 2025). Uma aeronave precisou ser utilizada para transportar a vítima para a Santa Casa de Campo Grande, onde ela faleceu cerca de 40 minutos após o retorno da aeronave, por volta das 23h.
Prisão e Confissão
Conforme o registro policial, as equipes do BOPE estavam patrulhando a região de Rio Negro quando receberam a informação sobre o feminicídio e sobre o possível esconderijo do suspeito em uma fazenda próxima. Ao chegarem ao local, o gerente da propriedade confirmou a presença de Lourenço, que foi encontrado dormindo no barracão junto com outros prestadores de serviço.
Questionado pelos policiais, Lourenço Xavier confessou ter ateado fogo na vítima, utilizando gasolina e o cigarro que fumava no momento. Ele afirmou não ter relacionamento com Eliana e que o motivo do crime teria sido uma discussão ocorrida no momento dos fatos e em dias anteriores, sem, no entanto, detalhar o teor da briga. Após o ato, ele disse ter saído desorientado até a fazenda vizinha.
Na delegacia, Lourenço relatou que trabalhava há três meses na fazenda cuidando do gramado, faz uso de bebida alcoólica e cigarro, mas nega o uso de entorpecentes. O histórico criminal do suspeito revela passagens por violência doméstica, ameaça, furto e porte ilegal de arma de fogo.
Crueldade e Motivação do Crime
A Polícia Civil de Corumbá, responsável pela investigação, classificou o caso como feminicídio com base em áudios de uma testemunha. Essa testemunha relatou que Lourenço havia afirmado, em diversas ocasiões, antes e depois da agressão, que “não aceitava ouvir ‘não’ de nenhuma mulher”.
A testemunha descreveu os momentos de terror: “Desde quando ela chegou aqui [na fazenda] ele criou raiva dela. Teve uma vez que discutiram os dois, ele queria jogar água na cara dela. (…) Ele chegou com um vaso de gasolina, eu me tranquei no banheiro. Ele veio, chamou a [vítima], que estava deitada no quarto. Ela saiu, sentou em uma cadeira, no que ela sentou, ele jogou gasolina nela. Ela saiu correndo para a garagem, ele jogou mais gasolina e ateou fogo nela”. A testemunha ainda disse que gritou para avisar outros trabalhadores da fazenda antes que o agressor fugisse.
O velório e sepultamento de Eliana Guanes acontecerão nesta segunda-feira (9 de junho de 2025), no Cemitério do Cruzeiro, em Campo Grande. O caso reforça a urgência de se combater a violência de gênero no Brasil e em Mato Grosso do Sul.
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