PF Lança Operação Contra Roubo de Aeronaves e Tráfico Internacional, Enquanto Mistério Persiste Sobre Aviões de Aquidauana

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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (6/6) a Operação Proa Clandestina, visando desarticular uma organização criminosa especializada em roubo de aeronaves, tráfico internacional de drogas por via aérea e lavagem de dinheiro. A ação resultou no cumprimento de 11 mandados judiciais em Dourados, Mato Grosso do Sul, e em diversas cidades do Mato Grosso e Tocantins, sem detalhar os locais específicos na cidade sul-mato-grossense.

A investigação teve início após o roubo e o dano a duas aeronaves em fevereiro de 2024, em um aeroporto privado em Nova Ubiratã (MT). Essas aeronaves, apreendidas anteriormente na Operação TUUP (março de 2022) por tráfico de drogas, estavam sob custódia judicial e em processo de leilão quando foram roubadas. A organização criminosa atuava na aquisição, preparação e manutenção de aeronaves para o transporte de cocaína, com foco nas regiões de fronteira com Bolívia e Paraguai.

Com base nas provas, a PF obteve autorização judicial para 4 mandados de prisão preventiva, 11 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro, arresto de bens e bloqueio de contas bancárias no limite de R$ 4,2 milhões.

Roubo Cinematográfico em Aquidauana Ainda Sem Aeronaves Recuperadas

Em Aquidauana, a memória de um roubo de aeronaves ainda mais audacioso e cinematográfico, ocorrido em setembro de 2021, permanece viva, com as três aeronaves levadas na ocasião ainda não recuperadas. Cerca de 12 horas após o crime, Roger Breno Wirmond dos Santos, de 22 anos, conhecido como “zóio”, e Cristhofer Cristaldo Rocha, de 20 anos, ambos de Anastácio, foram detidos em uma operação conjunta da Força Tática do 7º Batalhão de Polícia Militar de Aquidauana com o Batalhão de Choque.

As investigações da Polícia Civil revelaram que o líder da organização criminosa, um foragido do sistema penitenciário com passagens por crimes semelhantes, foi identificado, e sua esposa também teria participado do assalto. Apesar de grande parte do grupo ter fugido a bordo dos aviões com destino incerto, as autoridades localizaram um imóvel usado como base de apoio pelos criminosos, onde ficaram hospedados por cerca de um mês para mapear a invasão. Indícios encontrados no local ligaram os suspeitos ao crime, levando à prisão em flagrante de Roger e Cristhofer pelo auxílio na ação. Um deles foi responsável pela obtenção das armas, e o outro pelo mapeamento do trabalho policial pós-crime.

Segundo o delegado Jackson Frederico Vale, responsável pela investigação, o paradeiro das aeronaves já é conhecido e elas teriam deixado o Brasil. As investigações conjuntas continuam para identificar os demais integrantes do grupo.

O roubo, que durou cerca de 30 minutos, ocorreu por volta das 3h da madrugada, quando pelo menos 18 homens fortemente armados, vestidos de preto e usando balaclavas, renderam o vigia do local e seus dois filhos, amarrando-os e forçando o abastecimento das aeronaves. As vítimas relataram que o grupo era numeroso, majoritariamente falava espanhol e estava armado com pistolas. Pela característica do crime e o idioma dos criminosos, o delegado acredita que os aviões foram usados para cruzar a fronteira em direção à Bolívia ou ao Paraguai. As câmeras de segurança do local não estavam funcionando no momento da ação.