
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, apresentou recurso à Justiça para tentar ampliar a pena imposta ao ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk. Condenado em primeira instância por envolvimento em organização criminosa, exploração do jogo do bicho e roubos, ele recebeu pena de 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão em regime fechado.
No recurso, os promotores pedem que a Justiça considere mais graves as circunstâncias dos crimes. Entre os argumentos apresentados está a suspeita de que a estrutura da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) teria sido utilizada para dar suporte às atividades do grupo investigado, inclusive por meio da contratação de pessoas ligadas à organização com recursos públicos.
O Ministério Público sustenta que a utilização da estrutura parlamentar e de recursos do poder público deve ser considerada na avaliação da culpabilidade do ex-deputado, justificando o aumento da punição.
A defesa também recorreu da condenação, mas com objetivo oposto: busca a absolvição de Neno Razuk. O advogado Ricardo Souza Pereira afirmou que considera a sentença juridicamente insustentável e contestou a possibilidade de ampliação da pena.
A condenação foi proferida pelo juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, em dezembro de 2025. Na decisão, o magistrado apontou que os delitos atribuídos ao ex-parlamentar não tinham relação com as funções constitucionais do mandato.
Ex-deputado está preso desde agosto
Neno Razuk perdeu o mandato em maio de 2026, após a retotalização dos votos das eleições de 2022 determinada pela Justiça Eleitoral. Com a mudança na composição da Assembleia Legislativa, ele deixou de ocupar a cadeira parlamentar.
Em julho, foi expedida ordem de prisão para o cumprimento da pena. O ex-deputado passou a ser considerado foragido e acabou localizado na Bolívia em 2 de agosto. No dia seguinte, foi entregue à Polícia Federal em Corumbá e posteriormente transferido para Campo Grande, onde permanece preso.
A defesa também busca reverter a prisão por meio de medidas judiciais. Em agosto, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul negou um pedido de habeas corpus, mantendo a custódia do ex-parlamentar. <Cite refs={[“turn807823search3”]}/>
Caso integra investigação da Operação Successione
A condenação é resultado de investigações conduzidas pelo Gaeco no âmbito da Operação Successione, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de tentar controlar a exploração ilegal do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
As apurações apontaram suspeitas de envolvimento do grupo em crimes como roubos, corrupção e lavagem de dinheiro, além da exploração de jogos de azar. Neno também responde a outro processo relacionado a uma fase posterior da operação, ao lado de familiares e outros investigados.
Os recursos apresentados pelo Ministério Público e pela defesa serão analisados pela Justiça. Até que haja decisão definitiva, a condenação permanece sujeita à revisão pelas instâncias superiores.

