
O afundamento de uma balsa carregada com aproximadamente mil toneladas de minério de ferro no Rio Paraguai, em Corumbá, continua sendo acompanhado por órgãos ambientais e pela Marinha do Brasil. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aguarda os resultados da perícia subaquática para verificar se houve vazamento da carga e quais podem ser as consequências para o ecossistema do Pantanal.
O acidente ocorreu no sábado (31 de outubro), no Terminal Portuário Gregório Curvo, operado pela LHG Mining. A embarcação permanece submersa, enquanto mergulhadores da Marinha examinam as condições da estrutura e dos compartimentos que transportavam o minério.
De acordo com o analista ambiental do Ibama Jean Carlo Corrêa Figueira, uma amostra do material foi recolhida para análise. O resultado deverá ajudar a esclarecer se a carga continua concentrada no interior da balsa ou se parte dela se espalhou pelo fundo do rio.
O especialista explicou que o minério de ferro apresenta baixa solubilidade e, em condições gerais, não provoca alterações rápidas na composição da água. Mesmo assim, a avaliação técnica é necessária para identificar possíveis efeitos ambientais.
Mancha na água foi observada após o acidente
Imagens registradas logo depois do naufrágio mostraram uma alteração na coloração da água nas proximidades da embarcação. Segundo o Ibama, o fenômeno foi provocado pela dispersão de partículas finas do minério e perdeu intensidade pouco tempo depois.
Uma vistoria com drone também não identificou a permanência de uma pluma de material na superfície durante o sobrevoo. A equipe ressalta, porém, que a avaliação visual não substitui os exames técnicos, principalmente porque não há visibilidade suficiente para verificar diretamente o fundo do rio.
O porto permanece com as operações suspensas enquanto os trabalhos de apuração são realizados. A Marinha deverá esclarecer as condições da embarcação e as circunstâncias do afundamento.
Primeiras análises da água não indicam alterações
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) informou que as primeiras medições não apontaram mudanças relevantes na qualidade da água relacionadas ao acidente. Foram avaliados parâmetros como cor, turbidez, pH e temperatura em diferentes pontos do Rio Paraguai.
Apesar dos resultados iniciais, o órgão estadual coletou amostras para exames laboratoriais específicos, incluindo a investigação da presença de metais. O objetivo é ampliar a avaliação e verificar possíveis alterações que não sejam identificadas apenas pelas medições de campo.
Até as informações divulgadas pelos órgãos ambientais, não havia registro de morte de animais aquáticos associada ao naufrágio. A conclusão sobre a existência ou não de danos ambientais dependerá dos resultados complementares.
Marinha também investiga as causas do naufrágio
A Capitania Fluvial do Pantanal instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação para apurar as circunstâncias do ocorrido e eventuais responsabilidades. A investigação poderá incluir depoimentos de representantes da empresa e trabalhadores envolvidos na operação.
A ocorrência foi registrada durante o carregamento da embarcação no terminal. Segundo informações divulgadas pela imprensa, não houve feridos.
O Ibama e o Imasul continuam acompanhando o caso e aguardam os laudos técnicos para definir se serão necessárias medidas adicionais de fiscalização, recuperação ou reparação ambiental.

