Governo Federal define 27 minerais estratégicos e estabelece prioridades para investimentos no Brasil

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O governo federal aprovou, na quinta-feira (5), uma lista com 27 minerais críticos e estratégicos que terão prioridade nas políticas públicas de incentivo, financiamento e desenvolvimento industrial no Brasil. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), em reunião com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os minerais foram divididos em três categorias: prioridade alta, média e baixa. A classificação servirá de referência para direcionar recursos públicos e estimular investimentos privados em atividades de pesquisa, extração, beneficiamento e transformação mineral.

Entre os materiais classificados com prioridade alta estão terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio. Esses recursos são fundamentais para setores tecnológicos e industriais, especialmente na fabricação de baterias para veículos elétricos, ímãs permanentes, painéis solares, equipamentos eletrônicos e sistemas de armazenamento de energia.

Na avaliação do governo, o objetivo é ampliar a capacidade industrial brasileira e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem processamento. A proposta é fazer com que uma parcela maior da riqueza mineral seja transformada dentro do próprio país, gerando empregos, renda e desenvolvimento tecnológico.

Durante a reunião, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu a necessidade de mudar o modelo de exploração mineral, que historicamente concentra parte do processamento e da agregação de valor fora do Brasil.

O presidente Lula também ressaltou que o desenvolvimento do setor deverá ocorrer por meio de parcerias com empresas e países interessados em participar da exploração e transformação dos recursos minerais brasileiros. Segundo ele, a intenção não é concentrar todas as atividades nas mãos do Estado, mas construir cooperações que permitam ampliar a capacidade produtiva nacional.

Classificação dos minerais

A relação aprovada reúne 27 minerais, distribuídos da seguinte maneira:

Prioridade alta:

  • Terras raras;

  • Grafita;

  • Lítio;

  • Níquel;

  • Cobalto;

  • Cobre;

  • Manganês;

  • Silício;

  • Urânio.

Prioridade média:

  • Tungstênio;

  • Cromo;

  • Vanádio;

  • Tântalo;

  • Titânio;

  • Fosfato;

  • Potássio;

  • Enxofre.

Prioridade baixa:

  • Nióbio;

  • Estanho;

  • Ferro;

  • Zinco;

  • Ouro;

  • Magnésio;

  • Molibdênio;

  • Tório;

  • Alumínio;

  • Grupo da Platina.

A definição das prioridades considerou cinco fatores: riscos geopolíticos relacionados ao fornecimento, concentração da produção mundial, possibilidade de substituição dos minerais, posição brasileira nas cadeias produtivas e grau de dependência do mercado internacional.

A classificação poderá ser atualizada em futuras reuniões do conselho, conforme novas avaliações e mudanças nas necessidades econômicas e industriais do país.

Política prevê até R$ 7 bilhões para o setor

A iniciativa integra a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), instituída pela Lei nº 15.506, sancionada em 16 de setembro de 2026. A legislação estabelece mecanismos de financiamento e incentivos para estimular a pesquisa, a exploração e, principalmente, o processamento de minerais em território nacional.

Entre os instrumentos previstos estão o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, que poderá receber até R$ 2 bilhões em recursos da União, e incentivos fiscais para projetos de beneficiamento e transformação mineral, com limite de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034.

A política busca fortalecer a indústria nacional e ampliar a fabricação de produtos de maior valor agregado, como componentes eletrônicos, baterias e equipamentos utilizados na transição energética.

O Brasil possui reservas expressivas de diferentes recursos minerais, incluindo grafita, níquel e manganês. Com a nova estratégia, o governo pretende ampliar a participação do país nas cadeias internacionais de produção e transformar sua riqueza mineral em oportunidades de desenvolvimento econômico e industrial.