Oferta elevada e dólar em baixa pressionam preços do milho no Brasil

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Os preços do milho continuam em trajetória de queda no mercado brasileiro, influenciados pela grande disponibilidade do grão, pelo recuo das cotações internacionais e pela desvalorização do dólar. Os fatores reduzem a competitividade do produto brasileiro no mercado externo e diminuem a sustentação dos valores praticados internamente, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com levantamento divulgado em 26 de outubro, compradores têm adotado uma postura cautelosa nas negociações, acompanhando o avanço do plantio da safra de verão. Mesmo com o volume elevado de chuvas, os trabalhos no campo seguem em ritmo considerado satisfatório, mantendo a expectativa de oferta significativa nos próximos meses.

Diante desse cenário, produtores rurais têm demonstrado maior flexibilidade para fechar negócios. A estratégia busca antecipar a comercialização diante do risco de novas quedas nos preços e, em alguns casos, assegurar recursos para cobrir despesas e manter o fluxo de caixa das propriedades.

A pressão também atinge os negócios voltados à exportação. Nos portos, as cotações recuaram de forma mais acentuada do que no mercado interno, refletindo a queda dos contratos futuros do cereal e o enfraquecimento do dólar registrado na semana anterior.

Dados divulgados pelo setor indicam que o movimento de baixa também foi observado em diferentes regiões produtoras. Levantamento citado pelo Jornal do Agro Online apontou que, em 23 de outubro, o indicador do Cepea para a região de Campinas (SP) ficou em R$ 64,27 por saca de 60 quilos, acumulando recuo de 6,41% desde o início do mês. Em Mato Grosso do Sul, Chapadão do Sul e Costa Rica registraram quedas de 5,7% nos preços médios durante a semana analisada.

O comportamento do mercado dependerá da evolução da oferta, do ritmo das exportações, das condições cambiais e da demanda dos compradores nas próximas semanas.