
As cotações da soja perderam força no Brasil e no mercado internacional nos primeiros dias de outubro, interrompendo a trajetória de valorização registrada em setembro. O movimento é influenciado principalmente pelo avanço da colheita da safra 2026/27 no Hemisfério Norte e pela repercussão das negociações comerciais entre Estados Unidos e China.
No exterior, a chegada de novos volumes da produção norte-americana aumenta a disponibilidade do grão e contribui para pressionar as referências internacionais. Informações de mercado também apontam que o avanço da colheita nos Estados Unidos vem sendo acompanhado de perto pelos operadores, enquanto a demanda chinesa permanece como um dos principais fatores de atenção para o setor.
No Brasil, o cenário externo mais fraco reduziu o ritmo das negociações no mercado spot. Segundo o Cepea, a soja ficou fora das discussões relacionadas às tarifas comerciais entre Estados Unidos e China, fator que contribuiu para a queda das cotações internacionais e aumentou a cautela entre compradores e vendedores brasileiros.
Mesmo com a pressão externa, os prêmios de exportação da soja brasileira permaneceram firmes. Esse comportamento ajudou a amortecer parte da queda internacional e evitou que a retração fosse repassada integralmente aos preços praticados no mercado doméstico.
Os indicadores recentes refletem essa perda de força. Em Paranaguá, o Indicador Cepea/Esalq fechou em R$ 159,94 por saca de 60 quilos em 2 de outubro, com recuo de 0,60% no dia. No Paraná, a referência também apresentou queda no início do mês.
Apesar da menor liquidez no curto prazo, os fundamentos da produção brasileira seguem positivos. A Conab estima que a safra 2025/26 de soja alcance 180,4 milhões de toneladas, recorde da série histórica, com crescimento de 5,2% em relação ao ciclo anterior. A estatal também projeta exportações de aproximadamente 116,2 milhões de toneladas.
Diante desse cenário, o mercado brasileiro permanece atento ao comportamento das cotações em Chicago, ao avanço da colheita norte-americana, aos desdobramentos das relações comerciais entre Estados Unidos e China e ao ritmo das exportações brasileiras. Esses fatores devem continuar influenciando a formação dos preços da soja nas próximas semanas.

