Preço do milho recua no Brasil com menor demanda e pressão do mercado externo

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As cotações do milho perderam força no mercado brasileiro nos últimos dias, em um cenário marcado pela menor movimentação dos compradores, pela queda dos preços internacionais e pela expectativa de uma oferta elevada no país. Segundo análises divulgadas pelo Cepea, a combinação desses fatores tem reduzido o ritmo das negociações e aumentado a pressão sobre os valores pagos pelo cereal.

Um dos principais motivos para a retração é o comportamento dos compradores. Muitos consumidores afirmam possuir estoques suficientes para atender às necessidades de curto prazo e, por isso, têm adiado novas aquisições. Com menos negócios no mercado físico, a liquidez diminui e os vendedores encontram maior dificuldade para sustentar os preços.

Em Campinas (SP), importante referência para o mercado nacional, a saca de 60 quilos chegou a recuar de R$ 69,65 para R$ 68,53 entre 25 de setembro e 2 de outubro, atingindo o menor nível desde agosto.

As exportações também contribuem para o ambiente de pressão. Com os embarques brasileiros abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior, aumenta a percepção entre os agentes de que uma parcela maior da produção poderá permanecer disponível no mercado interno.

Outro ponto de atenção é o tamanho da safra. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam produção de aproximadamente 144 milhões de toneladas de milho na temporada 2025/26, o maior volume da série histórica. O resultado considera as três safras do cereal e ocorre mesmo diante de uma redução na produtividade média.

Com a oferta elevada e a demanda mais cautelosa, produtores vêm demonstrando maior flexibilidade nas negociações. Segundo o Cepea, essa postura envolve não apenas os preços, mas também condições de entrega e prazos para pagamento.

Para o setor, o cenário reforça a importância do acompanhamento do consumo interno, do desempenho das exportações e do comportamento das cotações internacionais, fatores que devem continuar influenciando a formação dos preços do milho nas próximas semanas.

A Conab também projeta crescimento da produção de milho na safra 2026/27, próxima de 148 milhões de toneladas, o que mantém o mercado atento à perspectiva de oferta elevada para o próximo ciclo.