
Após 25 dias de missão para dar a volta ao mundo em um avião monomotor, o piloto aquidauanense Mário Jorge Dias de Oliveira Filho revelou um detalhe curioso da rotina enfrentada durante os longos deslocamentos: até agora, foram utilizadas apenas duas garrafinhas PET para atender a uma necessidade básica durante os voos.
A situação ocorre porque o avião Bonanza F33A, apelidado de “Brasileirinho”, não possui banheiro. Em aeronaves de pequeno porte, recipientes podem ser utilizados em situações de emergência quando o piloto permanece por longos períodos no ar.
Mário Jorge iniciou a expedição em 20 de julho, com saída do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande. A missão prevê uma jornada de aproximadamente seis meses, com passagem por mais de 50 países e pelos cinco continentes. O roteiro inclui regiões como Alasca, Groenlândia e países da Ásia.
Nesta etapa da viagem, o piloto já passou por Grenada, República Dominicana e Estados Unidos. O Canadá aparece como próximo destino da expedição, que tem como objetivo registrar experiências, paisagens e desafios de uma travessia aérea de longa distância.
Apesar das experiências internacionais, Mário afirma que o maior desafio continua sendo emocional. Natural de Aquidauana e morador de Campo Grande, o piloto sente a distância da companheira, Beatriz Oliveira, e da filha Olívia, de 3 anos. A saudade, segundo ele, aumenta com o passar dos dias, especialmente por acompanhar a família apenas por chamadas de vídeo.
A aventura também já proporcionou momentos de forte emoção. Entre eles está a participação em uma operação de resgate em uma comunidade ribeirinha na região de Santarém, no Pará. Segundo o piloto, uma idosa havia sido picada por uma cobra e começou a apresentar sinais de parada cardíaca. O atendimento contou com o apoio de uma fundação que utiliza aeronaves gratuitamente para prestar auxílio e realizar resgates na região.
A expedição de Mário Jorge chama atenção não apenas pela distância percorrida, mas também pelos desafios enfrentados em diferentes condições climáticas e pela necessidade de planejamento constante. O piloto já possui experiência em voos internacionais e translado de aeronaves, tendo passado anteriormente por diversos países.
Com o “Brasileirinho” ainda no ar e muitos quilômetros pela frente, o aquidauanense segue registrando uma aventura que une aviação, desafios pessoais e a realização de um antigo sonho: completar uma volta ao mundo partindo de Mato Grosso do Sul.

