Oferta maior reduz preço da laranja, enquanto escassez mantém valorização da lima ácida tahiti

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O mercado brasileiro de frutas cítricas apresenta comportamentos distintos neste período da safra. Enquanto a maior disponibilidade de laranjas tem provocado queda nos preços da fruta destinada ao consumo in natura, a lima ácida tahiti continua registrando valorização devido à oferta limitada nos principais polos produtores do país.

Dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) apontam que o aumento da colheita das variedades de meia estação ampliou a presença da laranja no mercado, contribuindo para a redução das cotações. Além do maior volume disponível, o avanço da maturação dos frutos em algumas regiões produtoras tem aumentado a pressão de venda por parte dos agricultores.

Segundo analistas do setor, a qualidade das laranjas colhidas neste início de safra é considerada satisfatória, favorecendo a comercialização. No entanto, o crescimento da oferta diminui o poder de negociação dos produtores, refletindo diretamente nos preços pagos pelo mercado.

Em cenário oposto, a lima ácida tahiti segue valorizada. A fruta atravessa o período de entressafra, fase em que a produção naturalmente diminui. Com menos produto disponível e boa qualidade dos frutos ofertados, os preços permanecem sustentados, beneficiando os produtores que ainda possuem volume para comercialização.

As perspectivas para os próximos meses também indicam desafios para a citricultura. Estudos do Cepea mostram que a próxima safra poderá apresentar produção inferior à registrada no ciclo anterior, especialmente em áreas do centro-oeste e norte do estado de São Paulo, uma das principais regiões produtoras do país.

Especialistas atribuem esse cenário ao excesso de chuvas registrado no início do ano, que prejudicou o florescimento das plantas e comprometeu parte do potencial produtivo dos pomares. Mesmo após a adoção de técnicas de manejo, como a desfolha química, os impactos climáticos foram significativos para a formação da nova safra.

Com a colheita mais intensa prevista para começar a partir de setembro, o mercado segue atento ao comportamento da produção e da demanda, fatores que deverão influenciar a formação dos preços das frutas cítricas ao longo do segundo semestre de 2026.