Operação Gutenberg: investigação aponta suposta orientação para favorecer editora em licitação de Porto Murtinho

0

A Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), continua revelando novos desdobramentos sobre o esquema investigado de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul.

De acordo com documentos da investigação, conversas interceptadas em 2023 indicam que representantes ligados à Editora Avante teriam orientado um servidor municipal de Porto Murtinho sobre procedimentos para elaboração de justificativas técnicas relacionadas à contratação de materiais paradidáticos. O objetivo, segundo os investigadores, seria criar condições para favorecer a empresa em processos licitatórios.

As apurações apontam que Rhayane Souza Fanaia, registrada oficialmente como proprietária da Editora Avante, manteve contato com um servidor da prefeitura para esclarecer dúvidas sobre a modalidade de contratação e fornecer modelos de documentos já utilizados em outras negociações. Para o Gaeco, as mensagens sugerem uma tentativa de direcionamento do certame, embora a defesa da empresária sustente sua inocência e afirme que isso será demonstrado ao longo do processo judicial.

Contrato em Porto Murtinho

Conforme dados do Portal da Transparência, a Editora Avante firmou, em 2023, contrato superior a R$ 249 mil com a Secretaria Municipal de Educação de Porto Murtinho para fornecimento de materiais educacionais. O caso passou a integrar o conjunto de contratos analisados pelos investigadores na Operação Gutenberg.

Segundo o Ministério Público, a organização criminosa investigada teria utilizado diferentes estratégias para garantir a venda dos livros a municípios sul-mato-grossenses. O esquema envolveria empresários, servidores públicos e intermediários que atuariam para facilitar contratações e obtenção de vantagens indevidas.

Estrutura investigada

As investigações apontam que a Editora Avante faria parte de uma rede empresarial ligada ao chamado “Clã Jafar”. De acordo com o relatório do Gaeco, a empresária Rossana Paroschi Jafar seria apontada como uma das principais articuladoras do grupo, ao lado de familiares e colaboradores.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras que, segundo a apuração, indicariam a transferência de recursos oriundos de contratos públicos para integrantes da organização. Durante o cumprimento dos mandados judiciais, foram apreendidos valores em dinheiro, cheques e documentos considerados relevantes para o avanço das investigações.

Esquema sob apuração

O Ministério Público sustenta que o grupo teria utilizado influência política e administrativa para ampliar a comercialização dos materiais educacionais em diversas cidades do Estado. Outra linha investigativa apura supostas irregularidades relacionadas à utilização da estrutura da saúde pública para pressionar gestores municipais a aderirem aos contratos.

A Operação Gutenberg cumpriu dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e outros estados. Entre os alvos estão empresários, advogados, ex-servidores públicos e pessoas ligadas às empresas investigadas.

As investigações continuam em andamento e os envolvidos citados nos relatórios têm assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa durante a tramitação do processo.