
O nome do deputado estadual Paulo Corrêa (PL) aparece em um relatório de inteligência produzido pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que integra as investigações da Operação Gutenberg, deflagrada para apurar supostas irregularidades em contratos de aquisição de livros paradidáticos por municípios de Mato Grosso do Sul.
A operação investiga um esquema que, segundo o Ministério Público Estadual, pode ter movimentado cerca de R$ 27 milhões em contratos firmados com prefeituras sul-mato-grossenses. O parlamentar é mencionado em conversas analisadas pelos investigadores, mas não figura, até o momento, como investigado formalmente no processo.
De acordo com o relatório, as referências ao deputado surgem em mensagens trocadas entre pessoas apontadas como integrantes do esquema. Os diálogos tratariam de estratégias para viabilizar negociações e ampliar a atuação comercial da Editora Avante junto a administrações municipais.
As conversas analisadas pelo Gaeco ocorreram principalmente entre Ed Carlo Britto Burgatt, ex-coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde, e Gabriel Taquino de Paula, advogado citado na investigação como responsável pela comercialização dos materiais didáticos. Em alguns trechos, os interlocutores mencionam o apoio de lideranças políticas para facilitar contatos com prefeituras do interior do Estado.
Segundo o Ministério Público, as citações envolvendo parlamentares estaduais e outras autoridades com foro por prerrogativa de função motivaram o encaminhamento do caso ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. A medida seguiu determinação legal que exige a remessa dos autos quando surgem indícios relacionados a agentes públicos com foro especial.
Apesar das menções registradas no relatório, o próprio Ministério Público destacou que os elementos reunidos até o momento não são suficientes para justificar a abertura de investigação específica contra os deputados citados. O entendimento foi encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça, responsável pela análise de eventuais procedimentos envolvendo autoridades com foro privilegiado.
A Operação Gutenberg foi deflagrada em julho e apura possíveis crimes relacionados à contratação de materiais educacionais por municípios sul-mato-grossenses. As investigações seguem em andamento para esclarecer a participação dos envolvidos e a regularidade dos contratos analisados.
Engenheiro civil de formação, Paulo Corrêa está em seu oitavo mandato consecutivo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Ao longo da carreira política, ocupou a presidência da Casa de Leis entre 2019 e 2022 e atualmente exerce a função de primeiro-secretário da Mesa Diretora.
Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade criminal ao parlamentar, e as apurações continuam sob análise dos órgãos competentes.

