Preço da carne bovina atinge recorde histórico e pressiona consumidor brasileiro

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Os preços da carne bovina seguem em alta no mercado interno brasileiro e já atingem níveis recordes, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. Dados recentes apontam que a carcaça casada bovina vem sendo comercializada a valores elevados no atacado da região da Grande São Paulo, refletindo uma tendência de valorização contínua ao longo de abril.

Considerando os valores ajustados pela inflação, o cenário se torna ainda mais expressivo. A média registrada no período é a maior desde o início da série histórica do Cepea, em 2001, superando os patamares observados nos últimos anos e evidenciando um momento de pressão sobre o custo da proteína no país.

Especialistas apontam que o avanço das exportações brasileiras, aliado à redução da oferta de animais prontos para abate, tem contribuído diretamente para a elevação dos preços. Atualmente, cerca de 35% da produção nacional é destinada ao mercado externo, o que reduz a disponibilidade no mercado interno e impacta os valores ao consumidor.

Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, o cenário pode encontrar um limite diante da realidade econômica da população. De acordo com ele, o poder de compra do consumidor tende a influenciar o comportamento do mercado, dificultando novos aumentos significativos no varejo.

O encarecimento da carne bovina tem levado muitos brasileiros a buscarem alternativas mais acessíveis, como frango, ovos e carne suína, que passam a ocupar maior espaço na alimentação diária.

No campo, o comportamento dos preços apresenta variações. Apesar da valorização recente, a arroba do boi gordo registrou leve recuo na segunda quinzena de abril, após atingir patamares históricos. A movimentação é influenciada por fatores sazonais, como a proximidade do período seco, que tende a aumentar a oferta de animais para abate.

De acordo com o analista Hyberville Neto, a redução do consumo interno no fim do mês e incertezas no mercado internacional também impactam o ritmo das negociações. Já o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho destaca que a transição entre estações costuma pressionar o mercado, com aumento na oferta de animais.

Mesmo com oscilações pontuais, a tendência geral do setor ainda indica preços elevados, tanto no mercado físico quanto no futuro, refletindo um cenário de ajustes no ciclo pecuário e forte demanda global.