Carne de Porco Ganha Espaço no Prato do Brasileiro com Maior Vantagem sobre o Boi em 4 Anos

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O consumidor brasileiro encontrou na carne suína um alívio estratégico para o orçamento doméstico em março. Segundo o levantamento mais recente do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a competitividade do suíno frente à carne bovina atingiu o patamar mais elevado desde abril de 2022, consolidando-se como a principal alternativa proteica no atacado e varejo.

A disparidade econômica entre as duas proteínas foi impulsionada por um movimento de “tesoura”: enquanto o preço do porco caiu devido à baixa procura sazonal, a carne de boi encareceu sob a pressão da oferta restrita e das exportações aquecidas.

A dinâmica do mercado na Grande São Paulo revelou comportamentos opostos para as carcaças negociadas no atacado:

  • Carne Suína (Recuo de 2,8%): A carcaça especial suína fechou o mês com média de R$ 10,06 o quilo. Analistas apontam que a liquidez travada, típica do período da Quaresma — quando o consumo de carnes vermelhas diminui tradicionalmente —, forçou a queda nos preços para escoar a produção.

  • Carne Bovina (Alta de 2,6%): No caminho inverso, a carcaça casada bovina subiu para R$ 24,32 o quilo. O aumento foi provocado pela escassez de animais prontos para o abate no campo e pelo apetite do mercado externo, que continua absorvendo grandes volumes da produção nacional.

Com essas variações, o diferencial de preço entre as duas proteínas saltou para R$ 14,26 por quilo em março, uma expansão de 6,8% em relação a fevereiro.

“Estamos diante do maior distanciamento de preços em quatro anos. A última vez que vimos uma vantagem competitiva tão agressiva da carne suína foi em abril de 2022, quando a diferença bateu os R$ 14,66”, destacam os pesquisadores do Cepea.

Essa “folga” financeira para o suíno altera diretamente o comportamento de compra nos supermercados e açougues. Com a carne bovina pressionada por fatores globais e de safra, a proteína suína deixa de ser apenas uma opção ocasional para se tornar a base de proteínas de muitas famílias, garantindo a manutenção do consumo de carne sem estourar o limite dos gastos mensais.

Para o setor produtivo, o desafio agora é manter o escoamento no pós-Quaresma, aproveitando que a carne bovina deve permanecer em níveis elevados de preço no curto prazo.