Com Volume Recorde, Balança Comercial de MS Fecha 1º Trimestre de 2026 com Superávit de US$ 1,76 Bilhão

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Apesar da pressão global sobre os preços das commodities, Mato Grosso do Sul exportou 6,82 milhões de toneladas nos primeiros três meses do ano, impulsionado pela retomada da soja como carro-chefe.

O setor externo de Mato Grosso do Sul encerrou o primeiro trimestre de 2026 reafirmando sua solidez, mesmo diante de um cenário internacional de preços voláteis. De acordo com a Carta de Conjuntura da Semadesc, o Estado registrou exportações de US$ 2,51 bilhões entre janeiro e março. Embora o valor nominal tenha sofrido uma leve retração de 1,66%, o volume embarcado saltou 11,83%, evidenciando que o estado está produzindo e vendendo mais mercadorias para o exterior.

O “Duelo” das Commodities: Soja retoma a liderança

Uma das principais mudanças no perfil exportador deste início de ano foi a alternância no topo da lista. A soja recuperou o posto de principal produto da pauta sul-mato-grossense, respondendo por 28,32% das vendas totais, superando a celulose (27,41%), que ocupava o primeiro lugar anteriormente. A carne bovina completa o “top 3” com expressivos 19,38%.

O secretário da Semadesc, Artur Falcette, explica que o resultado é um reflexo direto da geopolítica atual. “Há uma pressão global sobre os preços, mas a força da nossa agropecuária, que cresceu tanto em valor quanto em volume, sustenta o saldo positivo”, pontua.

Importações e o Retorno do Gás Natural

Do lado das compras, Mato Grosso do Sul atingiu US$ 751,58 milhões em importações, um aumento de 10,10%. O destaque fica para a normalização do fluxo de gás natural, que voltou a ser o item mais importado (24,21%), após um período de liderança atípica de caldeiras industriais no bimestre passado.

Geografia das Exportações

  • Parceiro nº 1: A China segue imbatível, absorvendo quase metade de tudo o que o estado produz (44,84%). Os Estados Unidos aparecem em segundo (8,58%), mostrando um crescimento na concentração de negócios com o mercado americano.

  • Cidades Líderes: O interior continua sendo a locomotiva econômica. Três Lagoas (18,94%) e Ribas do Rio Pardo (12,01%) — impulsionadas pelo setor de celulose — lideram o ranking, seguidas por Dourados e a capital, Campo Grande.

  • Logística: O Porto de Paranaguá (PR) consolidou-se como o principal canal de saída da produção estadual, escoando 40,83% do volume total.

Análise Setorial

Enquanto a agropecuária brilha, a indústria extrativa vive um momento curioso: apesar de enfrentar uma queda drástica de 45% nos preços, conseguiu aumentar o volume exportado em mais de 42%, demonstrando um esforço de escala para compensar a desvalorização das mercadorias.

Com um dólar médio cotado a R$ 5,23 em março, Mato Grosso do Sul mantém a série histórica de superávits iniciada em 2015, consolidando-se como um player estratégico na segurança alimentar e no fornecimento de insumos industriais globais.