
O Governo de Mato Grosso do Sul deu um passo decisivo para a preservação ambiental e o fortalecimento da identidade regional com a sanção da Lei nº 6.563/2026. A nova legislação institui a juruva (Baryphthengus ruficapillus) como a ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica no estado, elevando o status de conservação deste bioma e potencializando o ecoturismo sul-mato-grossense.
A escolha da espécie não foi aleatória; a juruva é reconhecida por sua plumagem exuberante e comportamento discreto, funcionando como um “termômetro” da saúde dos ecossistemas florestais. Sua oficialização visa estimular a pesquisa científica, promover a educação ambiental e consolidar o estado como um destino de elite para o birdwatching (observação de aves).
Construção participativa e marcos ambientais
A trajetória até a sanção da lei envolveu um amplo processo democrático iniciado em maio de 2025, durante o Dia Nacional da Mata Atlântica. A proposta, nascida na Frente Parlamentar de Unidades de Conservação, passou por consulta pública e mobilizou universidades, prefeituras, organizações da sociedade civil e o setor privado.
O anúncio oficial ocorre em um momento de protagonismo internacional para o estado, que recentemente sediou a COP15, reforçando o compromisso com as metas globais de biodiversidade. Segundo Geancarlo Merighi, diretor da Fundtur MS, a medida é um vetor de desenvolvimento sustentável que une a gestão pública à valorização da fauna local.
Impacto no Turismo de Natureza
Para o setor produtivo e operadores turísticos, a juruva simboliza uma nova era para o “aviturismo”. Mato Grosso do Sul detém a maior área contínua preservada de Mata Atlântica no interior do Brasil, somando cerca de 6,3 milhões de hectares, dos quais mais de 1 milhão estão protegidos por Unidades de Conservação e Reservas Particulares (RPPNs).
Recentemente, parcerias entre a Fundtur, o Imasul e instâncias de governança regional, como a “Vale das Águas”, lançaram rotas específicas de observação de aves em parques estaduais e áreas ribeirinhas do Rio Paraná e Ivinhema. A nova lei permite que o Poder Executivo utilize a imagem da juruva em campanhas institucionais e materiais educativos, ampliando o alcance da marca “MS” no mercado turístico global.
Ecossistema protegido
A proteção da Mata Atlântica em solo sul-mato-grossense é estratégica. O bioma abriga espécies emblemáticas e garante a segurança hídrica da região. Com a juruva como estandarte, o estado espera não apenas atrair observadores do mundo inteiro, mas também sensibilizar a população local sobre a importância de manter as florestas em pé.
Especialistas e gestores de reservas ambientais, como Ana Luzia Abrão, destacam que a aprovação da lei reflete um esforço coletivo inédito entre diferentes atores da sociedade, unindo conservação ambiental e desenvolvimento econômico de forma integrada.

