Mato Grosso do Sul abre o “Abril Indígena” com balanço de investimentos e reafirmação da ancestralidade no Bioparque Pantanal

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O som do mbaraka e a reza sagrada Ñembo’e ecoaram pelo auditório do Bioparque Pantanal na tarde desta quarta-feira (1º de abril), marcando o início oficial do Abril Indígena. O evento, que celebra o mês de fortalecimento e visibilidade dos povos originários em Mato Grosso do Sul, reuniu lideranças das oito etnias que habitam o estado — Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva, Terena, Kadiwéu, Guató, Ofaié, Kinikinau e Atikum — para uma tarde de prestação de contas e exaltação cultural.

A campanha, coordenada pela Secretaria de Estado da Cidadania (SEC) através da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, apresentou os resultados de quatro anos de gestão focados na escuta ativa e na autonomia das comunidades.

Desmistificação e visibilidade

O subsecretário Fernando Souza enfatizou que o mês de abril, especialmente pelo Dia dos Povos Indígenas (19), é uma oportunidade estratégica para mostrar o potencial dos territórios. “Desde 2023, promovemos atividades para mostrar o que temos de bonito. Por muito tempo, apenas aspectos negativos eram expostos, e nós precisamos desmistificar isso”, afirmou Souza, destacando a ocupação de espaços em assembleias, câmaras e escolas como forma de valorização.

O governador Eduardo Riedel também participou da solenidade, relembrando que sua primeira agenda de mandato foi com lideranças indígenas. “Montamos uma equipe com capacidade de ouvir mais do que falar. Foi a partir dessa escuta que transformamos demandas em ações concretas de bem-estar e cidadania”, declarou o governador.

Entregas históricas e infraestrutura

A secretária de Cidadania, Viviane Luiza, detalhou que as políticas públicas executadas — que vão de centros culturais a poços artesianos — foram construídas diretamente com os povos. Entre os principais destaques apresentados no balanço estão:

  • Saúde e Inovação: A implementação do primeiro SAMU Indígena do Brasil (SAMUI 192), inaugurado em 2025 na Reserva de Dourados, além da entrega de 21 ambulâncias para a Sesai.

  • Acesso à Água: O programa Água para Todos recebeu investimentos de R$ 60 milhões para sistemas de abastecimento em 18 aldeias. Em janeiro de 2026, foi assinado um contrato adicional de R$ 48,7 milhões para as aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados.

  • Cidadania e Segurança: O programa MS em Ação emitiu mais de 8,5 mil documentos em territórios indígenas. Além disso, foram implantados 18 Conselhos Comunitários de Segurança Indígena e reativado o Conselho Estadual dos Direitos dos Povos Originários após 15 anos de inatividade.

  • Educação e Cultura: Construção de 10 Centros Culturais Indígenas e manutenção de 19 escolas específicas, além de programas de auxílio financeiro como o MS Supera, que beneficia estudantes universitários e de ensino médio com um salário mínimo mensal.

  • Habitação: O programa Minha Casa, Minha Vida Rural – Oga Porã já atendeu 1.186 famílias em diversos municípios do estado.

O Abril Indígena seguirá com uma agenda educativa em escolas e espaços públicos, visando o enfrentamento ao preconceito e a promoção da rica diversidade cultural das etnias sul-mato-grossenses. Como resumiu Fernando Souza, o evento de abertura foi uma celebração da sobrevivência: “Apesar dos desafios, seguimos vivos, resistindo com resiliência, coragem e união”.