
Mato Grosso do Sul consolidou, nesta semana, sua posição na vanguarda da inteligência penal ao integrar uma das maiores mobilizações de segurança pública do Brasil. O Estado executou simultaneamente as operações MUTE (10ª edição) e Modo Avião, uma estratégia coordenada para desarticular as comunicações de organizações criminosas dentro das seis maiores unidades prisionais sul-mato-grossenses.
As ações foram conduzidas pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e sua Polícia Penal, sob as diretrizes da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
O grande diferencial desta etapa foi o uso de um arsenal tecnológico avaliado em mais de R$ 59 milhões em investimentos nacionais. Para varrer celas e pavilhões com precisão cirúrgica, os policiais penais utilizaram ferramentas de última geração:
-
Georradar (GPR): Equipamento que penetra no solo e paredes para encontrar compartimentos ocultos (os chamados “mocós”).
-
TTK (Conjunto Portátil de Varredura): Dispositivos eletrônicos que detectam sinais de aparelhos celulares e componentes metálicos.
-
Revista Eletrônica Tática: Escaneamento avançado para identificar ilícitos sem a necessidade de contato físico invasivo constante.
Enquanto a Operação MUTE atua de forma integrada em todo o país para revistas gerais, a Operação Modo Avião funcionou como um braço estratégico específico. Seu nome é uma referência direta ao objetivo central: cortar o sinal e apreender dispositivos móveis.
A meta é impedir que lideranças criminosas coordenem ataques, tráfico ou execuções do lado de fora dos muros. “O combate ao crime começa dentro dos presídios. Silenciar essas comunicações é desarmar as facções externamente”, destacou a direção da Polícia Penal.
Centenas de policiais, incluindo o grupamento de elite COPE (Comando de Operações Penitenciárias) e a Gisp (Gerência de Inteligência), participaram das vistorias. O trabalho seguiu um planejamento rigoroso baseado em dados de inteligência, garantindo que as revistas ocorressem simultaneamente em diversos pavilhões para evitar o descarte de materiais.
Os policiais do COPE atuaram na contenção e retirada dos internos, enquanto as equipes das unidades realizavam a varredura técnica acompanhadas por representantes federais.
Embora os números totais de apreensões desta fase sejam consolidados e divulgados posteriormente pela Senappen em Brasília, a Agepen afirma que o impacto vai além da retirada de aparelhos físicos. A operação demonstra o fortalecimento do Estado no controle do sistema carcerário e a modernização dos protocolos de segurança em Mato Grosso do Sul.
Com a integração entre a União e o Estado, o sistema prisional deixa de ser um ponto cego e passa a ser uma peça-chave no enfrentamento qualificado ao crime organizado nacional.

