
No mês em que se celebra o papel feminino na sociedade, a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul destaca a força de suas profissionais, que hoje representam cerca de 40% do efetivo total. Da preservação minuciosa de vestígios em cenas de crime às complexas análises laboratoriais e exames cadavéricos, as mulheres ocupam funções estratégicas em todas as engrenagens da produção da prova técnica.
O trabalho de campo exige nervos de aço e olhar clínico. A perita criminal Karla Gonçalves da Cruz, com 11 anos de experiência, atua no setor de Crimes Contra a Vida. Para ela, o sucesso de uma investigação começa no isolamento da área.
“Minha primeira preocupação é garantir que os elementos no local sejam mantidos íntegros. É um levantamento minucioso, pois nem sempre é possível saber de imediato o que será relevante para o caso”, explica Karla.
Dentro dos institutos médico-legais, o foco é a clareza científica. A médica-legista Taís Cristina Zottis Barsaglini atua no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) e na Casa da Mulher Brasileira. Seu papel é documentar a materialidade de agressões físicas, sexuais e causas de óbitos violentos.
Taís admite que lidar com a vulnerabilidade humana é desafiador, mas o rigor técnico prevalece: “Um laudo fundamentado reúne conclusões baseadas em evidências para que a prova seja inquestionável perante a Justiça”.
Na papiloscopia, a perita Juliana Cardozo da Silva destaca que o trabalho com impressões digitais vai muito além da burocracia. No campo criminal, fragmentos mínimos de digitais podem ser o divisor de águas entre a condenação de um culpado ou a absolvição de um inocente.
“Observamos linhas e pontos característicos únicos em cada pessoa. Confirmar uma identidade pode permitir que uma família encerre um ciclo de dor. Por trás de cada digital, há uma história”, afirma Juliana.
Nos bastidores da necroscopia, a agente de Polícia Científica Romilda Fleitas atua há uma década na recepção e auxílio em exames de corpos. Sua função exige um equilíbrio delicado entre a técnica e o trato humanizado com famílias em luto.
“Eu me vejo como uma peça dentro de uma engrenagem. É um trabalho que exige responsabilidade e, acima de tudo, respeito com cada caso”, relata Romilda, que gerencia desde a conferência da cadeia de custódia até a liberação dos corpos.
A atuação dessas profissionais garante que o sistema judiciário de Mato Grosso do Sul receba provas robustas e isentas. Seja no DNA, na balística ou na medicina legal, a presença feminina na Polícia Científica assegura que a ciência seja a voz final no esclarecimento de fatos complexos.

