Varejo sob Pressão: Juros de 15% freiam confiança, mas comércio sinaliza recuperação gradual em 2026

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O setor varejista brasileiro iniciou o ano de 2026 enfrentando o desafio de um cenário econômico ainda marcado pela rigidez monetária. De acordo com a primeira edição do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo ainda sofre os impactos diretos da taxa Selic, atualmente mantida em 15% ao ano.

Embora o índice tenha registrado o maior nível desde julho de 2025, atingindo 103 pontos, a percepção dos comerciantes sobre o estado atual da economia brasileira apresentou uma queda de 6,1% em janeiro, quando comparada ao mesmo mês do ano anterior.

O Peso dos Juros nos Bens Duráveis

O principal entrave para uma retomada mais vigorosa reside no custo do crédito. Com os juros em patamares elevados, o consumo de itens de maior valor agregado, como veículos, eletrodomésticos e eletrônicos, acaba desestimulado.

  • Impacto Setorial: O segmento de bens duráveis registrou uma queda de 7,6% na percepção das condições atuais.

  • Condições Econômicas: O indicador específico que mede a visão sobre a economia retraiu 8,1% na base anual.

  • Necessidade de Crédito: O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, ressalta que o acesso saudável ao parcelamento é fundamental para setores de bens duráveis e semiduráveis, dependendo de juros menos agressivos para prosperar.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, enfatiza que o ciclo de endividamento das famílias impacta diretamente o planejamento de investimentos das empresas. Para Tadros, a redução das taxas é essencial para devolver o poder de compra ao trabalhador e permitir avanços consistentes ao longo de 2026.

Apesar do comparativo anual negativo, o comércio demonstra fôlego no curto prazo. Com ajuste sazonal, o Icec avançou 0,9% em janeiro frente a dezembro, acumulando a terceira alta consecutiva. A expectativa de que o Banco Central inicie cortes na Selic a partir do segundo trimestre sustenta o otimismo dos empresários.

Indicadores que apontam para o dinamismo:

  • Contratações: A intenção de contratar novos funcionários subiu 1,8%.

  • Consumo Familiar: Registrou avanço de 0,8%, impulsionado pela estabilidade no mercado de trabalho.

  • Gestão de Estoques: Único indicador com alta anual (+0,2%), revelando um planejamento mais assertivo por parte dos varejistas.

Resumo do Cenário (Janeiro/2026)

Indicador Desempenho Mensal Comparativo Anual
Confiança do Empresário (Icec) +0,9% -6,1%
Condições Econômicas Atuais -8,1%
Intenção de Investimento Estável Negativa
Gestão de Estoques +0,2%