Projeto Desdobrar: Mão de obra prisional produz fraldas geriátricas para atender idosos vulneráveis em MS

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O sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul deu um passo inovador na integração entre ressocialização e assistência social. Através do Projeto Desdobrar – Cuidado e Dignidade, internos do Instituto Penal de Campo Grande (IPCG) iniciaram a confecção de fraldas geriátricas descartáveis, destinadas a instituições que amparam idosos e pacientes em situação de vulnerabilidade.

A iniciativa é fruto de uma cooperação entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), o Tribunal de Justiça de MS (TJMS), o Sirpha Lar do Idoso e o Hospital São Julião.

Nesta fase inicial, dez reeducandos foram capacitados tecnicamente pela equipe do Sirpha para operar a oficina. Ao todo, foram produzidas 1.760 fraldas, organizadas em 220 pacotes para fins experimentais.

O material será submetido a um rigoroso controle de qualidade:

  • Testes de Absorção: O foco será o uso noturno, período crítico para avaliar a eficiência contra vazamentos.

  • Relatório Técnico: Após o uso por um grupo de controle (incluindo idosos do próprio IPCG e das instituições beneficiadas), questionários serão aplicados para ajustar o produto antes da expansão da produção.

  • Impacto Operacional: A qualidade do insumo é essencial para reduzir a sobrecarga das lavanderias hospitalares e garantir o conforto de idosos com idade avançada.

O projeto, idealizado pelo juiz José Henrique Kaster Franco, propõe mais do que a fabricação de um item essencial; ele busca a qualificação profissional dos custodiados e a futura possibilidade de remuneração.

Para as instituições de saúde, o impacto é financeiro e humano. A superintendente do Hospital São Julião, Jéssica Mendes, ressaltou que as fraldas representam um dos maiores custos da assistência hospitalar no SUS. Já o presidente do Sirpha, Ivan Nery de Queiroz, destacou a alta demanda: os 83 idosos atendidos na unidade consomem, em média, 240 fraldas por dia.

O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, aproveitou o lançamento para apresentar dados sobre a transformação do sistema:

  • Trabalho: Mais de 7 mil internos em MS estão atualmente em atividades laborais.

  • Educação: Mais de 4 mil custodiados frequentam cursos que vão da alfabetização à pós-graduação.

  • Parcerias: O sistema conta hoje com cerca de 250 empresas parceiras que empregam mão de obra prisional.

A diretora de Assistência Penitenciária, Maria de Lourdes Delgado Alves, reforçou que a iniciativa materializa a Lei de Execução Penal, unindo a força de trabalho à dignidade de quem mais precisa.