
O cenário político de Mato Grosso do Sul vive um clima de “déjà vu” que promete agitar as bases conservadoras em 2026. Uma ala do PL, autodenominada “bolsonarista raiz”, liderada pelo deputado federal Marcos Pollon e pelo deputado estadual João Henrique Catan, articula um movimento de resistência contra a aliança firmada entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o grupo governista de Eduardo Riedel (PSDB).
O objetivo do grupo é repetir o fenômeno de 2022, quando o “jogo duplo” de Bolsonaro — que oficialmente apoiava o PSDB, mas flertava com o Capitão Contar — catapultou a oposição da direita ao segundo turno.
A tensão subiu de tom após a filiação do ex-governador Reinaldo Azambuja ao PL. Azambuja entrou na sigla com a garantia de que o partido fecharia questão em torno da reeleição de Riedel. No entanto, Pollon e Catan, que historicamente fazem oposição ferrenha ao ninho tucano, recusam-se a subir no mesmo palanque.
Recentemente, Azambuja reuniu-se com a cúpula nacional do PL para cobrar o cumprimento do acordo. Embora o presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto, tenha prometido intervir para pacificar o partido no estado, a ala rebelde sinaliza que não aceitará imposições que barrem uma “legiditima candidatura de direita”.
Um elemento crucial nesta disputa é a influência de Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama é madrinha de casamento de Marcos Pollon e sua participação — ou ausência — na campanha pode definir os rumos da ala dissidente:
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Efeito Michelle: Informações de bastidores indicam que Michelle pode reduzir sua participação efetiva nas campanhas lideradas por Valdemar para focar em projetos pessoais, o que daria mais liberdade para Pollon e Catan buscarem caminhos alternativos.
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Plano B: Caso o PL force o apoio ao PSDB, a saída estratégica já está desenhada: a migração para o Partido Novo ou para o PRD. O Novo tem se tornado o refúgio de bolsonaristas em todo o Brasil que discordam das coligações pragmáticas do PL nacional.
João Henrique e Pollon enfrentam um prazo curto. Para viabilizar uma candidatura própria por outra legenda, eles precisam definir a nova filiação até o fechamento da janela partidária, em 4 de abril.
“Não aceitaremos uma nova imposição para barrar a direita em Mato Grosso do Sul”, tem repetido Catan em suas bases. O movimento coloca em xeque a estabilidade da mega-aliança arquitetada por Azambuja e Riedel, que visa consolidar o PL como o maior partido do estado, mas enfrenta o desafio de manter a coesão ideológica de seus membros mais radicais.

