Debandada no Ninho? Trio de deputados federais do PSDB pode deixar a sigla em Mato Grosso do Sul

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O PSDB sul-mato-grossense vive um momento de tensão política que pode culminar no esvaziamento de sua bancada federal. Às vésperas da abertura da janela partidária em março, os deputados Beto Pereira, Geraldo Resende e Dagoberto Nogueira mantêm o futuro incerto, apesar de um compromisso firmado recentemente com a cúpula nacional do partido.

O acordo, mediado pelo ex-governador Reinaldo Azambuja com o presidente da federação PSDB-Cidadania, Aécio Neves, previa a permanência dos três parlamentares na sigla. No entanto, articulações de bastidores indicam que o “pacto de fidelidade” está por um fio e depende diretamente dos movimentos de Beto Pereira.

Apontado como o fiel da balança, Beto Pereira — que assumiu a presidência estadual do PSDB como parte do acordo para ficar — continua em diálogos avançados com o Republicanos. A proposta seria assumir o comando da sigla em Mato Grosso do Sul. Caso Beto decida pela saída, analistas políticos preveem uma debandada geral:

  • Geraldo Resende: Embora tenha reafirmado publicamente o compromisso com o PSDB, o deputado é alvo de interesse do PV (que integra a federação com o PT). Ele poderia ocupar o vácuo deixado por Vander Loubet, que deve disputar o Senado.

  • Dagoberto Nogueira: Com metade da votação de seus colegas (48.217 votos em 2022), Dagoberto busca uma legenda com chapa proporcional robusta. Ele já abriu conversas com o PP, mas enfrenta resistência interna de pré-candidatos que não aceitam servir apenas como “escada” para sua reeleição.

A saída do PSDB impõe riscos matemáticos ao trio. Em 2022, Beto (97.872 votos) e Geraldo (96.519 votos) tiveram desempenhos expressivos, mas a reeleição depende do quociente eleitoral.

Se mudarem de partido, precisarão garantir que as novas legendas montem grupos competitivos. Sem o apoio direto da máquina tucana, que agora divide atenções com o fortalecimento do PL (sob influência de Azambuja) e do PP (base do governador Eduardo Riedel), o caminho para Brasília torna-se mais íngreme.

Apesar das incertezas, dois destinos parecem improváveis para o trio:

  1. PL: A falta de afinidade ideológica impede a filiação de qualquer um dos três ao partido de Jair Bolsonaro.

  2. PP para Beto Pereira: A relação estremecida entre o deputado e a senadora Tereza Cristina, comandante do Progressistas no estado, inviabiliza qualquer aproximação.

A reconfiguração das forças políticas em MS coloca o PSDB em uma encruzilhada. Com Azambuja focando na estruturação do PL para garantir pelo menos três das oito cadeiras federais em 2026, e Riedel empenhado em fortalecer o PP, os tucanos correm o risco real de perder o protagonismo na Câmara Federal pela primeira vez em décadas.