Inflação na “porta de fábrica” fecha 2025 com deflação de 4,53%

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O setor industrial brasileiro encerrou o ano de 2025 com um cenário de queda nos preços, o que pode sinalizar um fôlego extra para o bolso do consumidor nos próximos meses. Segundo dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (11), a chamada “inflação na porta de fábrica” registrou uma taxa negativa de -4,53%.

Este é o segundo índice mais baixo desde o início da série histórica em 2014, ficando atrás apenas do recorde de 2023 (-4,99%). O resultado representa uma reversão drástica em relação a 2024, quando a indústria enfrentou uma alta de 9,28%.

O principal responsável pelo recuo nos preços industriais foi o setor de alimentos, que registrou uma deflação de 10,47%. Esse movimento foi impulsionado, em grande parte, pelo açúcar, que teve seus preços reduzidos acompanhando as cotações internacionais.

Outro fator determinante foi o câmbio. Em 2025, o real se valorizou 10,6% frente ao dólar, tornando a importação de insumos mais barata e reduzindo a pressão sobre os custos de produção no Brasil.

Outros setores em queda:

  • Indústrias Extrativas: -14,39% (puxada pelo petróleo bruto e minério de ferro).

  • Metalurgia: -8,06%.

  • Refino de Petróleo e Biocombustíveis: -5,64%.

De acordo com Murilo Alvim, gerente do IPP no IBGE, o setor extrativo foi beneficiado por um aumento na produção global de petróleo e estoques elevados. No caso do minério de ferro, a oferta mundial cresceu enquanto a demanda permaneceu moderada, forçando a redução dos valores negociados na saída das minas.

O IPP é um indicador fundamental porque monitora a variação de preços de produtos sem impostos e fretes, antes mesmo de chegarem às prateleiras do comércio. Historicamente, uma queda no IPP tende a aliviar a inflação oficial (IPCA) a longo prazo.

O levantamento do IBGE mostra que a deflação na indústria é um fenômeno raro. Em 12 anos, apenas duas vezes os preços fecharam no negativo:

Ano IPP (%) Ano IPP (%)
2014 2,66% 2020 19,38%
2021 28,45% (Auge) 2023 -4,99%
2024 9,28% 2025 -4,53%

Enquanto os preços na fábrica caíram, o custo de vida das famílias (medido pelo IPCA) ainda mostra resistência, mas segue dentro das metas. Em janeiro de 2026, a inflação oficial ficou em 0,33%, acumulando uma alta de 4,44% nos últimos 12 meses. A expectativa do mercado é que o alívio vindo da indústria ajude a segurar o preço dos alimentos nos supermercados ao longo deste semestre.