
O Banco do Brasil (BB) encerrou o ano de 2025 com um lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões, o que representa uma retração de 45,4% em comparação ao ano anterior. Os números, divulgados nesta quarta-feira (11), refletem um cenário de transição marcado por mudanças rigorosas nas normas contábeis e pelo aumento expressivo da inadimplência, especialmente nos setores de agronegócio e cartões de crédito.
Apesar da queda anual, o banco apresentou sinais de recuperação no último trimestre de 2025 (outubro a dezembro), registrando um lucro de R$ 5,7 bilhões — um salto de 51,7% em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano.
Dois fatores principais pressionaram o balanço da instituição centenária:
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Novas Regras do CMN: Em 2025, entrou em vigor uma resolução do Conselho Monetário Nacional que alterou a forma como os bancos provisionam perdas. Agora, o cálculo é feito com base na “perda esperada” (estimativas futuras), e não apenas na perda ocorrida. Essa mudança técnica impediu que o BB reconhecesse cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito.
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Inadimplência em alta: O índice de atrasos superiores a 90 dias saltou de 3,16% para 5,17% em um ano. O setor que mais preocupou foi o agronegócio, onde a inadimplência atingiu 6,09%, influenciada por quebras de safra e variações de mercado. No segmento de pessoas físicas, o índice chegou a 6,56%.
Mesmo com o cenário adverso, a carteira de crédito ampliada do banco cresceu, atingindo R$ 1,296 trilhão. O grande destaque positivo foi o Crédito do Trabalhador, uma modalidade de consignado para funcionários do setor privado (CLT).
A presidente do BB, Tarciana Medeiros, destacou que a instituição desembolsou R$ 13 bilhões nessa linha. “É uma demonstração de que estamos crescendo em áreas com melhor retorno ajustado ao risco”, afirmou. No total, a carteira para pessoas físicas cresceu 7,6% em doze meses.
O Banco do Brasil consolidou sua posição como líder em finanças sustentáveis. A Carteira de Crédito Sustentável alcançou R$ 415,1 bilhões, representando 32% de todo o crédito da instituição. Esses recursos são destinados a atividades com impacto social e ambiental positivo, setor que cresceu 7,3% no último ano.
Após um ano de ajustes, o Banco do Brasil projeta um 2026 de recuperação. As estimativas (guidance) para este ano são otimistas:
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Lucro esperado: Entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
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Crescimento no crédito físico: Entre 6% e 10%.
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Recuperação de rentabilidade: O banco espera que o impacto das novas regras contábeis seja absorvido, permitindo a volta aos patamares históricos de ganho.
