
O setor industrial brasileiro enfrenta um cenário de “asfixia financeira” que ameaça o ritmo de investimentos para 2026. Segundo a Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito, divulgada nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a ABDE, oito em cada dez empresas encontraram dificuldades severas para financiar suas operações em 2025.
O principal culpado, apontado de forma quase unânime pelos empresários, é o patamar da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, o que gera juros reais próximos a 10% e inviabiliza novos projetos de expansão.
Os Maiores Obstáculos ao Financiamento
Embora os juros sejam o vilão número um, a pesquisa revela que o sistema financeiro impõe outras barreiras que travam o desenvolvimento industrial.
Entraves citados pelos empresários (Curto e Médio Prazo):
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Juros Elevados: 80% das empresas.
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Exigência de Garantias Reais (imóveis/máquinas): 32% das empresas.
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Falta de Linhas Adequadas: 17% das empresas. “Com o financiamento tão caro, o setor desestimula a inovação. A política monetária atual é extremamente restritiva e o empresário prefere não arriscar”, analisa Maria Virgínia Colusso, analista da CNI.
Retração na Procura: O Medo do Endividamento
O custo do dinheiro está tão alto que mais da metade das indústrias (54%) sequer tentou buscar crédito de longo prazo nos últimos seis meses. O receio de comprometer o caixa futuro fez com que apenas 17% das empresas efetivamente renovassem ou contratassem empréstimos acima de cinco anos.
O estudo destaca que as médias empresas são as mais afetadas: 43% das que tentaram crédito de longo prazo voltaram de mãos vazias, um índice maior do que o registrado entre grandes (27%) e pequenas empresas (37%).
Comparativo por Porte da Empresa
A dificuldade em obter sucesso na contratação de crédito de longo prazo (investimentos estruturais):
| Porte da Empresa | Taxa de Insucesso no Crédito |
| Grandes Empresas | 27% |
| Pequenas Empresas | 37% |
| Médias Empresas | 43% |
O “Risco Sacado” e a Percepção de Piora
A pesquisa também avaliou ferramentas alternativas de liquidez, como o Risco Sacado (antecipação de recebíveis), que teve adesão de apenas 13% do setor. Além disso, o pessimismo impera: 35% dos industriais afirmam que as condições gerais de empréstimos pioraram significativamente em relação ao ano anterior, enquanto apenas 12% notaram alguma melhora no crédito de longo prazo.
A sondagem ouviu 1.789 indústrias de todo o país, evidenciando que, sem uma sinalização de queda nos juros por parte do Banco Central, o setor deve iniciar 2026 operando no “modo sobrevivência”, priorizando o caixa próprio em detrimento de novos investimentos.
