
O cenário político de Mato Grosso do Sul ganha contornos de incerteza dentro do PSB. O vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão, presidente municipal da sigla, confirmou que o esperado encontro com a diretoria nacional do partido deve ocorrer apenas em fevereiro, após o recesso parlamentar. A reunião, que vem sendo adiada desde o ano passado, é considerada o “dia D” para definir o futuro das lideranças pessebistas no estado visando o pleito de 2026.
O ponto central da discórdia é o apoio ao governo estadual. Enquanto a executiva nacional do PSB caminha alinhada ao PT — ocupando a vice-presidência da República com Geraldo Alckmin —, as lideranças regionais buscam independência para apoiar a reeleição de Eduardo Riedel (PSDB).
“No PT eu não voto”: O ultimato de Carlão
Carlão tem sido enfático em sua postura. O parlamentar condiciona sua candidatura a deputado (estadual ou federal) à liberação da legenda para ignorar a aliança nacional com os petistas em MS. Com o anúncio de Fábio Trad como pré-candidato do PT ao Governo do Estado, o racha ficou ainda mais evidente.
“Uma coisa de certeza que eu tenho é que eu não apoio candidato do PT aqui no Estado. Se não houver liberação, eu não vou ser candidato a nada, inclusive peço licença”, disparou o vereador.
A resistência de Carlão e de outros correligionários baseia-se na inclinação do eleitorado sul-mato-grossense e na proximidade administrativa com a atual gestão de Riedel, que é do PSDB (partido que, embora Riedel tenha perfil moderado, abriga alas de direita e centro-direita).
Saída de Paulo Duarte e a Federação com o Cidadania
O racha pode provocar uma debandada na cúpula estadual. O presidente estadual do PSB, Paulo Duarte, já estaria com as malas prontas para deixar a sigla caso a nacional tente impor o apoio ao PT. Duarte já sinalizou que sua prioridade é a manutenção da aliança com o projeto de Eduardo Riedel.
Para tentar ganhar musculatura e sobreviver ao isolamento, o PSB-MS tem intensificado conversas com o Cidadania. O objetivo é alinhar uma federação partidária para 2026, o que permitiria a montagem de chapas proporcionais mais competitivas e daria mais autonomia aos diretórios estaduais.
O que está em jogo?
-
Liberdade de Voto: Os integrantes de MS querem ser “liberados” para escolher seu candidato ao governo sem sofrer retaliações da nacional.
-
Sobrevivência Política: A cúpula local teme que uma aliança compulsória com o PT prejudique o desempenho do partido em um estado com forte histórico conservador.
-
Federação: A união com o Cidadania pode ser a saída para manter o partido relevante no cenário estadual.

