
O deputado estadual e ex-governador Zeca do PT realizou uma visita fiscalizatória à Terra Indígena (TI) Ñande Ru Marangatu neste sábado (17). O que deveria ser um cenário de celebração — após a recente aquisição da área pelo Governo Federal, que encerrou um conflito de 25 anos — revelou-se, segundo o parlamentar, uma situação de “total abandono” e precariedade extrema.
A visita atendeu a um chamado das lideranças locais, que relatam a ausência de serviços básicos de saúde, infraestrutura e saneamento na comunidade.
Retrato da Precariedade
Mesmo com a regularização da terra sob a gestão do presidente Lula, Zeca afirmou que a presença do Estado ainda não chegou ao cotidiano das famílias. O deputado registrou em vídeo a carência de itens fundamentais para a dignidade humana.
“Encontrei uma comunidade sem nenhuma assistência do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), da Funai e da Sesai. Estão sem água, sem casa, sem medicamento. Estão totalmente abandonados”, relatou o parlamentar.
Atualmente, a única fonte de renda da aldeia provém de um arrendamento de soja. No entanto, o valor repassado aos indígenas é considerado insuficiente para promover melhorias estruturais ou garantir a autossuficiência da comunidade.
Críticas à Cúpula do Ministério
O tom da visita também foi de cobrança política. Zeca direcionou críticas contundentes à atuação do Ministério dos Povos Indígenas em Mato Grosso do Sul, citando nominalmente o secretário-executivo da pasta, Eloy Terena.
O deputado acusou a liderança do MPI de priorizar articulações políticas no estado em detrimento da assistência direta às aldeias em situação crítica.
-
Foco Político: Para Zeca, causa estranheza que dirigentes circulem pelo estado em clima de campanha enquanto comunidades recém-pacíficas, como a Ñande Ru Marangatu, seguem desassistidas.
-
Encaminhamento: O parlamentar anunciou que levará os registros da visita a Brasília, com o objetivo de sensibilizar a Casa Civil e o Ministério do Desenvolvimento Social para uma intervenção imediata na região.
Histórico de Conflitos
A TI Ñande Ru Marangatu foi palco de um dos conflitos fundiários mais longos e violentos da história de Mato Grosso do Sul. A solução definitiva parecia ter chegado com o acordo de indenização e compra da área no final de 2024, mas o cenário atual mostra que a segurança jurídica da terra ainda não se traduziu em políticas públicas efetivas para os povos Guarani-Kaiowá que ali residem.

