
O cenário agrícola de Mato Grosso do Sul testemunha uma transformação sem precedentes. O sorgo, antes visto apenas como uma cultura de suporte para períodos de crise, tornou-se protagonista no planejamento estratégico do agronegócio sul-mato-grossense. Em apenas cinco safras, a área cultivada saltou de discretos 5 mil hectares para quase 400 mil hectares, um crescimento explosivo superior a 7.700%.
Os dados são do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (SIGA), gerido pela Semadesc em parceria com a Aprosoja, e confirmam que o estado ocupa agora a quarta posição no ranking nacional de produção da cultura.
O Trunfo do Etanol de Cereais
De acordo com o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, a expansão vertiginosa do sorgo não é fruto do acaso, mas de uma mudança estrutural no mercado. O fator decisivo foi a consolidação das usinas de etanol de milho instaladas no estado, que passaram a demandar o sorgo como matéria-prima complementar.
“Isso mudou quando as indústrias passaram a firmar contratos de compra, garantindo previsibilidade, escala e segurança econômica ao produtor”, explica Verruck.
Com a garantia de venda e contratos pré-estabelecidos, o sorgo superou entraves históricos de comercialização e armazenagem, tornando-se uma alternativa lucrativa e segura.
Gestão de Risco e Resiliência Climática
A cultura vem ganhando escala especialmente em áreas onde a janela de plantio do milho é mais curta ou o risco climático é elevado. Por ser mais resistente a veranicos e pragas, o sorgo oferece uma proteção financeira ao agricultor.
Os dados do SIGA revelam que metade da produção estadual está concentrada em dez municípios. Os destaques são:
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Ponta Porã e Maracaju (Líderes em área);
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Bonito, Bela Vista e Sidrolândia (Em forte expansão).
Para o secretário-executivo Rogério Beretta, o sorgo se encaixa perfeitamente em “áreas marginais”, onde o milho enfrentaria dificuldades técnicas, funcionando como uma ferramenta eficiente de gestão de risco.
Projeção Nacional
A estimativa para a safra 2025/2026 é que o Brasil ultrapasse a marca de 6,6 milhões de toneladas de sorgo. Mato Grosso do Sul, ao integrar a produção agrícola com a indústria de bioenergia, fortalece sua economia local e amplia o uso sustentável do solo.
A transição do sorgo de “plano B” para “cultura estratégica” sinaliza um amadurecimento do setor produtivo, que agora utiliza a tecnologia do SIGA para mapear com precisão onde e quando investir para garantir a máxima rentabilidade.
