MPMS oficializa contrato de R$ 15,9 milhões para iPhones e telefonia sob questionamento do CNMP

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) oficializou, nesta quarta-feira (7), a contratação da operadora TIM S.A. para a prestação de serviços de telefonia móvel e o fornecimento de smartphones de última geração. O acordo, formalizado pelo Contrato nº 084/PGJ/2025, prevê um investimento total projetado de R$ 15,9 milhões ao longo dos próximos cinco anos.

O processo ocorre em meio a uma polêmica no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), onde tramita uma denúncia que coloca em xeque a economicidade e a necessidade da escolha por aparelhos de alto custo.

iPhones de 16ª Geração e Regalias Técnicas

O centro da controvérsia é o objeto do Pregão Eletrônico nº 19/PGJ/2025, que especifica a locação em regime de comodato de 750 aparelhos iPhone, da Apple, obrigatoriamente da 16ª geração ou superior. As exigências técnicas detalhadas no edital incluem:

  • Memória RAM: Mínimo de 8 GB;

  • Armazenamento: Mínimo de 256 GB internos;

  • Serviços: Telefonia local e longa distância nacional inclusos.

A denúncia protocolada pelo advogado Ricardo Feltrin junto à corregedoria do CNMP aponta que o número de dispositivos (750) é mais que o triplo do total de membros ativos (256 promotores e procuradores). O denunciante argumenta que a compra direta dos aparelhos e a contratação separada de planos de dados custaria cerca de metade do valor total do contrato de locação, ferindo o princípio da eficiência pública.

Justificativas do Ministério Público

Em resposta aos questionamentos, o MPMS defende que o modelo de contrato por “comodato sob demanda” é mais racional, pois o pagamento será feito apenas pelos aparelhos efetivamente em uso. A instituição sustenta que a escolha por equipamentos de alta performance é estratégica para:

  1. Segurança da Informação: Acesso protegido a sistemas institucionais;

  2. Combate ao Crime: Captura de evidências (fotos e vídeos de alta qualidade) em operações contra o crime organizado;

  3. Conectividade: Necessidade de comunicação ininterrupta para o exercício das funções ministeriais.

Apesar das justificativas técnicas, a nota oficial do órgão não rebateu diretamente os cálculos de mercado apresentados na denúncia que corre no conselho nacional.

Vigência e Custos

O contrato tem validade iniciada em 7 de janeiro de 2026 e término previsto para janeiro de 2031. O extrato anual estima um gasto de R$ 2,24 milhões, mas o montante global de R$ 15,9 milhões é o que preocupa órgãos de controle externo devido ao cenário de restrição orçamentária em diversas áreas do serviço público.

Repórter Cidadão: Você considera que o uso de iPhones de última geração é essencial para o trabalho dos promotores de justiça ou o valor poderia ser melhor investido em outras áreas do MP? Participe do debate no nosso WhatsApp: (67) 99308-4646.