
O setor cotonicultor brasileiro caminha para mais um ano de protagonismo no cenário internacional. Segundo análises recentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a safra de algodão 2025/26, embora apresente um leve recuo em comparação ao recorde anterior, deve se consolidar como a segunda maior já registrada no país.
Mesmo com um ajuste na produtividade, a robustez da oferta nacional mantém o Brasil em uma posição estratégica, com as exportações funcionando como a principal válvula de escape para o excedente de produção.
Área e Produtividade: O Equilíbrio Regional
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a área total cultivada terá um incremento tímido de 0,7%, atingindo 2,1 milhões de hectares. Esse crescimento é impulsionado principalmente pelas regiões Norte e Nordeste (alta de 4%), que compensam a leve retração de 0,4% no Centro-Sul.
No entanto, o clima e outros fatores técnicos devem reduzir a produtividade média para 1.885 quilos por hectare (queda de 3,5%). Como consequência, a estimativa de produção de pluma caiu para 3,96 milhões de toneladas, uma variação negativa de 2,9% em relação ao ciclo passado.
Brasil no Topo: Superando os Estados Unidos
Apesar da colheita ligeiramente menor, o Brasil vive um momento de “pé no acelerador” no comércio exterior. Estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetam que o Brasil manterá a liderança mundial das exportações, superando os norte-americanos com folga:
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Previsão de Exportação Brasil: 3,157 milhões de toneladas (+11,4%);
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Previsão de Exportação EUA: 2,656 milhões de toneladas.
O diferencial brasileiro tem sido a combinação de escala produtiva, sustentabilidade e rastreabilidade, exigências crescentes da indústria têxtil global. “O Brasil se sobressai pela competitividade e pela capacidade de entregar um produto sustentável, o que fortalece nossa presença no mercado asiático e europeu”, destacam os pesquisadores do Cepea.
O Fator Câmbio e Rentabilidade
Para o produtor rural, o foco agora se volta para o mercado financeiro. Com a safra majoritariamente voltada ao exterior, o comportamento do dólar é o principal balizador da rentabilidade. A paridade de exportação frente aos preços praticados no mercado interno define se o lucro será recorde ou se servirá apenas para cobrir os custos de produção, que seguem elevados.
No cenário global, a oferta de algodão deve ter um incremento marginal de 0,4%, o que mantém os preços em um patamar de estabilidade, sem grandes choques de oferta ou demanda no curto prazo.
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