Crise no Ninho Tucano: PSDB de MS Fica Sem Comando Definido em Meio a Disputa e Ameaça de Êxodo

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O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em Mato Grosso do Sul vive um momento de incerteza e crise de liderança. O prazo de encerramento do mandato da atual executiva estadual, liderada pelo deputado federal Geraldo Resende (PSDB), venceu nesta terça-feira (21) sem que a direção nacional da sigla definisse o novo comando provisório.

A indefinição acentua as fissuras internas, já que o atual presidente, Geraldo Resende, e o deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) estão cotados para assumir a cadeira. Conforme apurou a reportagem com Caravina, a expectativa é que o diretório seja mantido em caráter provisório até dezembro, com a decisão final nas mãos da cúpula nacional tucana.

“No dia 21 vence o diretório do PSDB. Todo mandato da atual executiva aqui de MS se encerra hoje. A Nacional deve manter diretórios provisórios”, explicou Caravina, que confirmou o interesse em liderar o partido. “Sou um dos nomes que devem entrar na disputa. Tenho interesse em reestruturar o partido, mas é uma decisão que não passa só por mim.”

A disputa pelo comando local reflete um cenário nacional complexo, com o atual presidente do PSDB, Marconi Perillo, cotado para deixar o cargo em dezembro para concorrer ao governo de Goiás em 2026, abrindo espaço para o nome de Aécio Neves.

Vereadores Pressionam e Debandada Ameaça Assembleia

A falta de consenso no diretório estadual gera atrito na base do partido. Vereadores da Capital têm pressionado publicamente por uma mudança no comando, manifestando preferência pelo deputado Pedro Caravina. O vereador Professor Juari (PSDB) foi enfático, alertando para um possível êxodo de parlamentares em 2026.

“Nós queremos o Caravina na liderança. Caso o presidente do partido não mude, muitos vereadores que estavam pensando em concorrer nas eleições do próximo ano devem desistir. Eu gostaria de disputar como deputado federal, mas se continuar o Geraldo Resende, eu não vou mais”, afirmou o vereador.

A crise de liderança soma-se ao enfraquecimento do PSDB no estado, que perdeu o governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja para o PP e o PL, respectivamente. A debandada tucana ameaça se estender à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), onde o PSDB tem a maior bancada (com Lia Nogueira, Caravina, Jamilson Name, Paulo Corrêa, Zé Teixeira e Mara Caseiro). Fontes indicam que, destes, apenas Lia e Caravina poderiam permanecer, reduzindo drasticamente a força da legenda no Legislativo estadual.

A indicação do novo presidente provisório pelo diretório nacional é aguardada como um fator decisivo para apaziguar os ânimos e tentar estancar a sangria de filiados antes do ciclo eleitoral de 2026.