
A situação do incêndio no Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari atingiu um nível crítico, levando a Prefeitura de Alcinópolis, no norte de Mato Grosso do Sul, a emitir um apelo urgente por apoio dos Governos Federal e Estadual neste domingo (5). O fogo, que persiste há mais de duas semanas na unidade de conservação, intensificou-se drasticamente no sábado (4) e avançou para áreas de difícil acesso, consideradas críticas, como as regiões de Lúcio e Rancho do Planalto, próximas à borda da serra.
O Parque, que é um importante corredor ecológico entre o Cerrado e o Pantanal, com uma área de aproximadamente 30 mil hectares, já teve cerca de 10% de sua área consumida pelas chamas, o que representa mais de 3 mil hectares destruídos, segundo dados da Defesa Civil e Imasul reportados nos dias anteriores. O fogo, que teria começado após a queda de um raio, ameaça não apenas a rica fauna (com registros de animais como onças-pintadas fugindo) e flora, mas também fazendas e lavouras vizinhas.
Brigadistas Exaustos e Terreno Inóspito
Atualmente, cerca de 60 pessoas entre brigadistas e voluntários do Corpo de Bombeiros e produtores rurais trabalham incansavelmente na linha de frente do combate. Contudo, as condições do terreno, marcado por serra, cavernas e grotas, e a baixa umidade do ar tornam o controle das chamas um “grande desafio”, segundo nota oficial do município.
O esgotamento das equipes é palpável. Em um vídeo de desabafo divulgado nas redes sociais do Parque, um brigadista reforçou o pedido de ajuda, expressando o limite físico dos combatentes: “Pedir novamente ao Governo Estadual e ao Governo Federal que envie o Exército, urgente, porque os brigadistas estão há quinze dias aqui. O pessoal está sobrecarregado”.
A gravidade do quadro levou a Prefeitura a solicitar formalmente a intervenção imediata, clamando por reforço de equipamentos e pessoal, em um esforço para proteger este que é um patrimônio ambiental e histórico da região, que abriga até sítios arqueológicos milenares.
O município de Alcinópolis se mantém em estado de alerta 24 horas enquanto as equipes de combate a incêndio persistem no monitoramento constante e na abertura de aceiros — faixas desprovidas de vegetação para tentar barrar o avanço do fogo.

