Etanol de Milho no Brasil Vê Margens Positivas e Expansão Impulsionadas por Safra Recorde

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Após um início de 2025 desafiador, com a disparada do preço do milho apertando as margens das usinas, o setor de etanol de milho no Brasil respira aliviado e projeta um futuro promissor para a safra 2025/26. A avaliação é da consultoria Datagro, que aponta uma mudança significativa no cenário em função da expectativa de uma colheita robusta do milho de inverno.

A Datagro revela que a proximidade do início das operações de colheita já impacta positivamente o mercado. Na região de Sorriso, em Mato Grosso, o preço do cereal despencou 37% em apenas um mês, atingindo R$ 41 por saca. Essa queda reflete a projeção de um aumento na produção total de milho no Brasil, que deve saltar de 122,05 milhões de toneladas em 2023/24 para 132,68 milhões de toneladas em 2024/25.

“Com a equalização das condições de oferta e demanda no balanço doméstico, ainda que acompanhada pela expectativa de aperto nos estoques finais, o mercado de milho deverá apresentar uma acomodação dos preços nos próximos meses, dando fôlego à operação das usinas de etanol de milho”, explica a Datagro em nota, destacando a volta de um cenário mais favorável para a indústria.

Margens Recuperadas e Futuro Promissor

Graças à equalização dos preços do milho e à firmeza nos valores do etanol e do DDGS (Dried Distillers Grains with Solubles), subproduto do etanol de milho, a indústria voltou a operar com margens positivas de cerca de 19%. Essa recuperação é um alívio após três meses consecutivos de perdas na geração de caixa do setor. A consultoria projeta que o horizonte para a indústria permanecerá positivo até o final da safra 2025/26.

A sustentação dos preços do etanol é atribuída, em parte, à probabilidade de aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 27% para 30%, e à resiliência nas vendas de etanol hidratado nos postos de combustíveis. A Datagro estima que o preço médio do etanol hidratado em Paulínia, São Paulo, em 2025/26, deverá ser cerca de 5% maior do que a média de 2024/25.

DDGS em Ascensão e Potencial de Expansão

Paralelamente, os preços do DDGS também demonstraram maior firmeza nos últimos dias. Isso se deve à forte demanda interna e ao aquecimento das exportações. Após cair para R$ 1.150 por tonelada no início do ano, o preço médio do DDGS em Mato Grosso subiu para R$ 1.300 por tonelada esta semana, em um movimento contrário ao do milho.

Como resultado, a Datagro calcula que a margem média da indústria de etanol de milho no Brasil poderá variar de 19% a 34,7% ao longo da safra 2025/26, um salto significativo em comparação com a média de 9,8% em 2024/25. Se esse cenário otimista se concretizar, o setor deverá manter o “apetite pela construção de novas plantas nos próximos anos”.

Um mapeamento recente da consultoria projeta que a produção de etanol de milho no Brasil pode mais do que dobrar, saltando de 8,20 bilhões de litros em 2024/25 para 18,4 bilhões de litros em 2033/34, consolidando o etanol de milho como um pilar cada vez mais forte na matriz energética brasileira.