Edson “Café”, Ex-Músico do Raça Negra, Morre em São Paulo

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O cenário musical lamenta a perda de Edson Bernardo de Lima, conhecido como Café, de 69 anos, ex-integrante do icônico grupo Raça Negra. O músico faleceu em um hospital de São Paulo após ser encontrado desacordado em uma rua da zona leste da capital paulista no domingo, 1º de junho.

De acordo com as primeiras informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Café foi socorrido e levado inicialmente à Unidade Pronto Atendimento (UPA) Carrão. Devido à gravidade de seu estado, ele foi transferido para o Hospital Municipal do Tatuapé, onde infelizmente não resistiu. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) Leste e, após exames periciais, foi identificado e liberado aos familiares. O caso foi registrado como morte suspeita pelo 52º Distrito Policial (Parque São Jorge), e as circunstâncias exatas da sua morte estão sob investigação.

Uma Vida Marcada por Luta e Desafios

Edson Café, que tocava violão no auge do Raça Negra, teve sua trajetória profissional e pessoal profundamente alterada após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que o fez perder o movimento dos braços. Esse problema de saúde o obrigou a se afastar dos palcos, e, segundo amigos e relatos próprios, ele acabou desenvolvendo dependência química.

Nos últimos dez anos, Café viveu em situação de rua, principalmente no Rio de Janeiro, sustentando-se como guardador de veículos. Apesar de idas e vindas a clínicas de reabilitação e tentativas de morar com os filhos, ele acabou retornando às ruas e ao vício. Em uma entrevista em 2020, ele chegou a declarar: “Estava propenso à recaída. Não tem como morar na rua e não fumar um baseado, não dá”.

De volta a São Paulo, Café continuou morando na rua, mas sempre buscando trabalho como uma estratégia para evitar o uso de substâncias. “Se eu ficar aqui, fico querendo escrever ou então me drogar. Vou ficar enfiado na Cracolândia aí do lado. Eu prefiro sair, dar um rolezinho. E ganhar um dinheirinho. Tomo conta de carro na praça”, relatou. Em seus últimos anos, o músico foi acolhido por uma fã que há tempos tentava ajudá-lo a sair dessa situação.

A morte de Edson Café, um artista que contribuiu para a história do pagode brasileiro, serve como um lembrete doloroso dos desafios enfrentados por muitos indivíduos em situação de vulnerabilidade e dependência química.