
O seu pontificado, iniciado em 2013, marcou uma era de reformas, proximidade com os marginalizados e compromisso com causas sociais e ambientais. Papa Francisco se recuperava após um quadro respiratório grave, que o deixou 37 dias no hospital, entre fevereiro e março deste ano. Ontem, no Domingo de Páscoa, o papa fez uma aparição para abençoar milhares de pessoas na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Como é tradição, o funeral do papa começa na Basílica de São Pedro. O corpo de Jorge Mario Bergoglio, o primeiro pontífice latino-americano da história, ficará exposto para visitação e oração dos fiéis. O funeral termina com a missa de corpo presente, na Praça de São Pedro e depois será enterrado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, conforme seu próprio desejo.

Uma vida de serviço e simplicidade
Nascido em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, Argentina, Bergoglio ingressou na Companhia de Jesus em 1958. Formado em Filosofia e Teologia, foi ordenado sacerdote em 1969. Após décadas de serviço pastoral e académico, tornou-se arcebispo de Buenos Aires em 1998 e cardeal em 2001. Em 13 de março de 2013, foi eleito o 266.º Papa da Igreja Católica, adotando o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, símbolo de humildade e cuidado com os pobres.

Reformas e iniciativas significativas
O pontificado de Francisco foi marcado por reformas estruturais e iniciativas pastorais:
Reforma da Cúria Romana: Com a constituição apostólica Praedicate Evangelium (2022), promoveu uma maior descentralização e transparência na administração vaticana .
Justiça social e ambiental: Destacou-se pela encíclica Laudato Si’ (2015), um apelo urgente à proteção do meio ambiente, e pela exortação Querida Amazônia (2020), defendendo os direitos dos povos indígenas e a preservação da floresta amazónica .
Inclusão e misericórdia: Através de documentos como Amoris Laetitia (2016), promoveu uma abordagem pastoral mais inclusiva para com divorciados e a comunidade LGBTQ+, enfatizando a misericórdia sobre o julgamento.
Diálogo inter-religioso: Em 2019, encontrou-se com o Grande Imã de Al-Azhar, promovendo a paz e o entendimento entre religiões .
Primeiro papa latino-americano e jesuíta
A nomeação de Jorge Mario Bergoglio como o 266º papa da Igreja Católica por si só foi histórica. Nascido em 17 de dezembro de 1936 em Buenos Aires, ele se tornou o primeiro pontífice nascido e vivido na América do Sul a ocupar o cargo máximo para os católicos.
Além disso, Jorge Mario era jesuíta, ordem que também pela primeira vez na história tem um dos seus membros indicado para o cargo. O papa tinha formação em química pela Universidad de Buenos Aires.
Em 1958, ingressou na Companhia de Jesus —Ordem dos jesuítas— e, na sequência, licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de São Miguel. Mais tarde fez doutorado em Teologia em Freiburg, na Alemanha. Foi ordenado sacerdote em 1969. Após um período de apostolado na Argentina, retornou para a Faculdade de São Miguel como professor de teologia em 1980 e lá permaneceu até 1986.
Em 1992, foi nomeado bispo titular de Auca e bispo auxiliar de Buenos Aires. Em 1998, tornou-se arcebispo da capital argentina e em 2001 foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II. Foi escolhido como papa em 14 de março de 2013, quando tinha 76 anos.
Faz parte da tradição que um novo papa decida o nome pelo qual deverá ser chamado durante o período de seu pontificado. Quase sempre a escolha é feita para homenagear os primeiros apóstolos de Jesus ou algum outro pontífice da história pelo qual o novo indicado tem admiração.
Mas o novo nome também tem relação com o caminho que o papa deseja trilhar durante o pontificado. Jorge Mario decidiu fazer uma relação com São Francisco de Assis, santo que tem a dedicação aos pobres e posições claras como marca.
O papa dos humildes
A fumaça branca despontou em 13 de março de 2013, quando Francisco se apresentou para o mundo. “Irmãos e irmãs, boa noite”, disse, no primeiro discurso, vestindo a batina branca sem adereços solenes. “Vocês sabem que é dever do conclave dar um bispo para Roma. Parece que meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase no fim do mundo. Estamos aqui.”
Ali, o povo havia acabado de conhecer o primeiro papa de nome Francisco. Fundador da ordem franciscana, São Francisco de Assis se vestia
com panos de saco e pregava uma reforma espiritual e material na Igreja Católica. Francisco, o frade medieval queria que a Igreja fosse mais simples, mais pobre e mais próxima dos sofredores e humildes.
Um Papa próximo do povo
Francisco foi conhecido pela sua humildade e proximidade com os fiéis:
Estilo de vida simples: Recusou luxos papais, optando por residir na Casa Santa Marta e utilizar veículos modestos.
Viagens apostólicas: Realizou 47 viagens internacionais, visitando comunidades marginalizadas e zonas de conflito, reforçando a presença da Igreja junto dos mais necessitados
Jubileu da Misericórdia: Em 2015, proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, incentivando a Igreja a ser um “hospital de campanha” para os feridos da vida.
Últimos anos e preparação para a morte
Nos últimos anos, enfrentou problemas de saúde, incluindo dificuldades respiratórias e mobilidade reduzida. Em abril de 2024, anunciou que seus rituais fúnebres seriam simplificados, com o corpo não sendo exposto fora do caixão e o sepultamento ocorrendo na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, rompendo com a tradição dos enterros papais na Basílica de São Pedro, onde está o corpo de 91 pontífices.
Um legado duradouro
O Papa Francisco deixa um legado de transformação, aproximando a Igreja dos marginalizados, promovendo a justiça social e ambiental, e reformando estruturas eclesiásticas para uma maior transparência e serviço. Sua liderança continuará a inspirar gerações futuras na busca por uma Igreja mais inclusiva e compassiva.

