
A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul vai ampliar a capacidade de identificação de possíveis conexões entre crimes com armas de fogo, com a instalação de novos equipamentos em seis unidades regionais do interior. O investimento do Governo do Estado é de R$ 720 mil e contempla câmaras especiais utilizadas na recuperação de projéteis durante exames periciais.
A aquisição foi realizada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), com recursos do Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp). Os equipamentos foram encaminhados às Unidades Regionais de Perícia e Identificação (URPIs) de Amambai, Bataguassu, Ponta Porã, Três Lagoas, Coxim e Fátima do Sul.
As seis unidades atendem, juntas, 28 municípios. Com a nova estrutura, os profissionais poderão realizar no próprio interior uma etapa importante dos exames de balística, reduzindo a necessidade de transportar armas até Campo Grande exclusivamente para a coleta de padrões balísticos.
A iniciativa também permitirá ampliar a quantidade de informações encaminhadas ao Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab), ferramenta utilizada para comparar marcas encontradas em projéteis e estojos de munição e identificar possíveis relações entre ocorrências registradas em diferentes localidades.
Correspondências balísticas aumentaram 66%
Mato Grosso do Sul já contabiliza 179 ligações balísticas confirmadas pelo Sinab. Em novembro de 2025, eram 108 registros. Até 6 de novembro de 2026, foram identificadas outras 71 correspondências, representando crescimento de aproximadamente 66% em um ano.
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Um dos exemplos ocorreu em Campo Grande, onde uma arma apreendida por porte ilegal, sem ligação inicialmente conhecida com crimes violentos, foi associada a quatro ocorrências anteriores. A relação foi confirmada por meio da comparação de estojos de munição, e os resultados foram encaminhados às delegacias responsáveis.
Também houve identificação de uma conexão entre estados. Uma arma apreendida durante uma investigação de homicídio em Mato Grosso do Sul, em 2024, apresentou correspondência com vestígios de um crime ocorrido anteriormente em Mato Grosso. A relação foi posteriormente confirmada em exame laboratorial pela perícia mato-grossense.
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Como funciona a tecnologia
O trabalho começa com disparos controlados realizados pelos peritos durante o exame de uma arma apreendida. As câmaras de recuperação permitem recolher projéteis e preservar as marcas microscópicas deixadas pelo armamento.
Essas marcas são fotografadas e transformadas em registros digitais, posteriormente inseridos no Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB), que integra o sistema nacional. A tecnologia aponta possíveis semelhanças entre os vestígios, mas cada correspondência precisa passar pela avaliação e confirmação de especialistas.
A ampliação da estrutura no interior deverá aumentar a quantidade de armas e vestígios cadastrados, permitindo cruzamentos de informações entre diferentes regiões do Brasil.
A Polícia Científica ressalta que uma ligação balística não significa, necessariamente, que um crime tenha sido esclarecido ou que sua autoria tenha sido identificada. Os resultados representam evidências técnicas que podem auxiliar as investigações policiais e precisam ser analisados em conjunto com outras provas.

