Polícia Civil afasta investigador preso durante a Operação Ifrit em Mato Grosso do Sul

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A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul determinou o afastamento compulsório do investigador Andrey Elesbão Silva, preso preventivamente durante a Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (4). A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (5) e permanecerá válida enquanto durar a prisão do servidor.

Lotado no Grupo de Operações e Investigações (GOI), o policial integra o quadro efetivo da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS). Além de ser afastado das atividades, ele deverá entregar a arma, a carteira funcional e outros materiais públicos sob sua responsabilidade.

A portaria também estabelece o bloqueio de suas credenciais de acesso aos sistemas e bancos de dados da segurança pública, entre eles o Sistema Integrado de Gestão Operacional (Sigo) e o Infoseg. O documento foi assinado pelo corregedor-geral da Polícia Civil, delegado Clever José Fante Esteves, com base na decisão da 3ª Vara Federal de Campo Grande que decretou a prisão preventiva.

Os fatos apurados pela Polícia Federal também serão analisados na esfera administrativa pela Corregedoria, que poderá adotar medidas disciplinares conforme o resultado das investigações.

Operação investiga esquema com movimentação superior a R$ 500 milhões

A Operação Ifrit foi realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal para desarticular uma organização criminosa suspeita de tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e outros crimes.

A ação alcançou Mato Grosso do Sul e outros seis estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Conforme balanço divulgado pela Polícia Federal, foram cumpridos 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária, além de medidas de monitoramento eletrônico e afastamento de policiais civis.

A investigação aponta que o grupo teria movimentado mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos. Segundo os órgãos responsáveis, a organização utilizava a região de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, como rota para a entrada de drogas e armamentos no Brasil, com distribuição para diferentes estados e possível envio de entorpecentes ao exterior.

As apurações também identificaram indícios de participação de agentes públicos, incluindo policiais, no fornecimento de informações e apoio às atividades do grupo.

Investigação envolve desvio de cocaína da Denar

A operação também está relacionada às apurações sobre o suposto desvio de entorpecentes apreendidos e armazenados na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Campo Grande.

Entre os investigados está o ex-delegado Hoffman D’Ávila Candido e Sousa, que já havia sido preso em setembro durante a Operação Infiltrados, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

De acordo com as suspeitas investigadas, aproximadamente duas toneladas de cocaína teriam sido retiradas do depósito da Denar e posteriormente comercializadas. A Polícia Federal estima que o esquema possa ter rendido cerca de R$ 15 milhões ao ex-delegado.

As investigações seguem em andamento. As prisões e medidas cautelares não representam condenação, cabendo à Justiça analisar as provas e garantir aos investigados o direito à ampla defesa e ao contraditório.