Após quatro décadas, famílias ligadas ao jogo do bicho podem perder espaço na política de MS

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A presença de integrantes das famílias Name e Razuk nos principais espaços políticos de Mato Grosso do Sul enfrenta um momento decisivo. Após cerca de quatro décadas com representantes na Assembleia Legislativa ou no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS), os grupos podem deixar de ocupar essas posições a partir de 2027, dependendo do desfecho de processos na Justiça Eleitoral e da composição da próxima legislatura.

O cenário envolve principalmente o deputado estadual Jamilson Name (PP), que recebeu 35.211 votos na eleição de 4 de outubro, mas teve sua candidatura contestada judicialmente. A validade dos votos e a possibilidade de assumir um novo mandato dependem da decisão definitiva da Justiça Eleitoral.

Segundo informações publicadas pelo jornal Correio do Estado, a situação também envolve o ex-conselheiro do TCE-MS Jerson Domingos, que disputou uma vaga na Assembleia Legislativa, mas não obteve votação suficiente para garantir uma cadeira. Seus votos também foram afetados por questionamentos judiciais.

Trajetória política começou na década de 1980

A presença das duas famílias na política estadual remonta a 1987, quando Roberto Razuk, empresário de Dourados, iniciou sua trajetória como deputado estadual. Ele ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa por dois mandatos, até 1995.

Naquele ano, Jerson Domingos, ligado à família Name por relações familiares, chegou ao Legislativo estadual. Ao longo de aproximadamente 20 anos, exerceu funções de destaque, incluindo a presidência da Assembleia Legislativa e a primeira-secretaria.

Em 2014, deixou o mandato parlamentar para assumir uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado, onde permaneceu até novembro de 2025, quando atingiu a idade limite para aposentadoria compulsória.

A família também teve participação na política municipal. Tereza Name exerceu mandato de vereadora em Campo Grande, enquanto Délia Razuk, esposa de Roberto e mãe do deputado Neno Razuk, foi vereadora e prefeita de Dourados por dois mandatos.

Retorno à Assembleia em 2018

Depois de um período sem representantes diretos das duas famílias na Assembleia Legislativa, a eleição de 2018 marcou o retorno de integrantes dos grupos ao Parlamento estadual. Na ocasião, foram eleitos Neno Razuk e Jamilson Name, filhos de Roberto Razuk e Jamil Name, respectivamente. Ambos conquistaram a reeleição em 2022.

Entretanto, investigações e decisões judiciais passaram a afetar a trajetória política dos parlamentares e de seus familiares. Entre os casos citados estão as operações Omertà e Successione, que apuram suspeitas de organização criminosa e atividades relacionadas à exploração ilegal de jogos de azar.

Em dezembro de 2025, Neno Razuk foi condenado a 15 anos e sete meses de prisão, conforme informações publicadas pela imprensa. Posteriormente, perdeu o mandato parlamentar após a anulação de votos atribuídos a uma candidata do PL e a consequente recontagem eleitoral. Em agosto de 2026, ele foi preso na Bolívia e permaneceu sob custódia, segundo os relatos divulgados.

Situação de Jamilson Name depende da Justiça

Jamilson Name, por sua vez, obteve votação suficiente para disputar uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, mas sua situação eleitoral permanece condicionada à análise judicial. Conforme a reportagem do Correio do Estado, o Tribunal Superior Eleitoral acolheu recurso que contestava o registro de sua candidatura, com base em elementos relacionados à Operação Omertà e a uma condenação em primeira instância.

A defesa e os recursos apresentados no processo são relevantes para o desfecho do caso, que determinará se os votos poderão ser considerados para a composição da próxima legislatura.

Jerson Domingos também teve sua candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral, que apontou suspeitas relacionadas a uma investigação sobre organização criminosa. As alegações integram o processo judicial e devem ser tratadas como acusações, não como fatos definitivamente comprovados.

Investigações marcaram a trajetória dos grupos

A exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul ganhou repercussão nacional em 2009, quando uma reportagem do programa Fantástico mostrou uma banca de apostas em funcionamento dentro do prédio da Assembleia Legislativa.

Anos depois, a Operação Omertà passou a investigar uma organização criminosa apontada pelas autoridades como envolvida em crimes graves. Entre os episódios relacionados à investigação está o assassinato do estudante Matheus Coutinho Xavier, em abril de 2019, morto por engano em um ataque cujo alvo seria seu pai.

As investigações e os processos judiciais envolvendo integrantes das famílias Name e Razuk alteraram o cenário político que se manteve por décadas no Estado.

A definição sobre a presença de representantes desses grupos na Assembleia Legislativa a partir de 2027 dependerá do resultado dos recursos eleitorais e da confirmação oficial da composição do Parlamento estadual.

Fonte: Correio do Estado