
O nível do Rio Miranda chegou a 6,61 metros na terça-feira (13), ultrapassando em nove centímetros a cota de alerta, conforme dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB). A elevação está associada às chuvas intensas registradas nas cabeceiras dos rios de Mato Grosso do Sul nas últimas semanas.
A marca supera em 4,70 metros a média histórica de 1,91 metro. Em menos de uma semana, o rio subiu mais de 1,75 metro: no dia 7 de outubro, o nível estava em 4,85 metros.
Alagamentos afetam áreas rurais
Imagens registradas no Pantanal mostram pontos alagados no Caronal, na região entre Coxim e Corumbá, e no Pantanal do Nabileque, entre Miranda e Corumbá. Em alguns locais, a água se aproxima de propriedades rurais e dificulta o deslocamento de veículos, podendo comprometer o acesso a determinadas áreas.
Segundo o Instituto SOS Pantanal, a elevação dos rios caracteriza uma cheia regional, provocada pela concentração de chuvas nas cabeceiras, e não uma cheia generalizada da planície pantaneira.
O biólogo Gustavo Figueirôa, do instituto, explica que a cheia do Pantanal é caracterizada, entre outros fatores, quando o Rio Paraguai, principal curso d’água do bioma, transborda sua calha. Conforme a avaliação apresentada pelo especialista, os níveis do Paraguai permaneciam abaixo da média em diversos pontos monitorados.
Chuvas e condições do terreno exigem atenção
O Nabileque, localizado no sul do Pantanal, está entre as primeiras regiões da planície a receber águas de inundação. Já o Caronal fica no Pantanal do Paiaguás, às margens do Rio Taquari, área conhecida por registrar alagamentos expressivos.
De acordo com o SOS Pantanal, caso as chuvas não continuem, a tendência é que parte da água escoe em direção ao Rio Paraguai. Entretanto, o deslocamento pelo Nabileque pode ficar mais difícil na segunda quinzena de novembro, devido às características do solo argiloso, que apresenta baixa permeabilidade e drenagem lenta.
O cenário reforça a importância de acompanhar os níveis dos rios e as condições de acesso às propriedades rurais, especialmente em áreas sujeitas a alagamentos após períodos de precipitação intensa.

