Custo da alimentação pesa no orçamento e desafia famílias de Aquidauana em 2026

0

Para muitas famílias de Aquidauana, fazer compras no supermercado continua sendo um dos principais desafios do orçamento doméstico. Mesmo com sinais recentes de alívio na inflação dos alimentos em nível nacional, o custo da alimentação permanece elevado quando comparado à renda de grande parte dos trabalhadores.

Aquidauana tem população estimada em 48.689 habitantes, segundo o IBGE, e uma economia movimentada principalmente pelos setores de serviços, comércio, agropecuária e administração pública. O município registrou PIB per capita de R$ 30.712,79 em 2023.

Quanto uma família pode gastar com alimentação?

Não existe, atualmente, uma pesquisa oficial específica sobre o valor da cesta básica de Aquidauana com a mesma metodologia utilizada pelo Dieese nas capitais. Por isso, os dados de Campo Grande servem como uma referência regional para avaliar o peso da alimentação no bolso do consumidor sul-mato-grossense.

Em maio de 2026, a cesta básica pesquisada pelo Dieese em Campo Grande custava R$ 841,19. O valor correspondia a 56,10% do salário mínimo líquido considerado na pesquisa.

Na prática, uma família de quatro pessoas pode gastar facilmente mais de R$ 1,5 mil por mês com alimentação, dependendo do consumo de carne, frutas, produtos industrializados, bebidas e refeições fora de casa. Famílias com maior consumo de proteínas e produtos de maior valor podem ultrapassar R$ 2 mil ou R$ 2,5 mil mensais.

Esses valores são estimativas e não representam uma cesta básica oficial de Aquidauana. O preço final varia de acordo com o supermercado, bairro, marcas escolhidas, promoções e hábitos de consumo.

Por que a comida continua cara?

O preço que chega ao consumidor é resultado de uma cadeia que começa no campo e passa por transporte, armazenamento, indústria, atacado e comércio. Combustíveis, energia elétrica, mão de obra, impostos, embalagens, fertilizantes, defensivos agrícolas e outros insumos também influenciam o valor final.

O câmbio é outro fator importante. Mesmo sendo um grande produtor de alimentos, o Brasil utiliza produtos e equipamentos importados ou cotados internacionalmente na produção agrícola. A variação do dólar pode, portanto, afetar custos de produção.

O clima também interfere diretamente. Períodos de seca, excesso de chuva e outros eventos climáticos podem reduzir a oferta de determinados produtos e provocar aumentos temporários nos supermercados.

Além disso, o Brasil é um grande exportador de commodities agrícolas. Quando os preços internacionais estão favoráveis, produtores e empresas podem ter maior incentivo para vender determinados produtos ao mercado externo, fazendo com que as condições internacionais também influenciem o mercado interno.

Alimentos tiveram queda em julho, mas sensação de preço alto permanece

Os números mais recentes mostram que houve algum alívio. Em julho de 2026, o IPCA registrou alta de apenas 0,07%, enquanto o grupo Alimentação e Bebidas apresentou queda de 0,67%. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio recuou 1,14%.

Produtos como tomate, batata e cenoura tiveram quedas expressivas no período. O café também apresentou redução de preços, depois de fortes altas registradas nos anos anteriores.

O recuo, porém, não significa que os alimentos tenham voltado aos preços de alguns anos atrás. Uma redução mensal significa que determinados produtos ficaram mais baratos em relação ao mês anterior, mas os preços acumulados continuam em patamares elevados.

Outro ponto importante é que a alimentação fora de casa continuou pressionando o orçamento. Em julho, os preços de refeições e outros produtos consumidos fora do domicílio subiram 0,55%, segundo o IPCA.

Para onde vai o dinheiro das famílias?

O problema do custo de vida não se limita ao supermercado. Depois de pagar alimentação, as famílias precisam dividir a renda entre aluguel, energia elétrica, água, gás de cozinha, transporte, internet, medicamentos, educação e outras despesas.

Por isso, mesmo quando a inflação desacelera, a sensação de aperto financeiro pode continuar. Se os salários não acompanham o aumento acumulado dos preços, o trabalhador perde poder de compra.

Em uma cidade como Aquidauana, essa realidade ganha importância porque parte da população depende de rendimentos mais limitados. O custo dos alimentos acaba tendo impacto direto na qualidade de vida e na capacidade das famílias de manter outras despesas.

Alimentação é prioridade no orçamento

Para reduzir o impacto das compras, especialistas em economia doméstica costumam recomendar pesquisa de preços, comparação entre estabelecimentos, aproveitamento de promoções e planejamento das refeições.

Para as famílias de Aquidauana, acompanhar o preço dos alimentos também pode ajudar a identificar quais produtos estão pressionando mais o orçamento. Carnes, café, leite, arroz, feijão, óleo, frutas e hortaliças podem apresentar variações significativas de preço ao longo do ano.

O cenário de 2026 mostra, portanto, uma contradição: o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas produzir em grande escala não significa que a comida chegará barata à mesa do consumidor.

Entre o campo e o prato existem custos de produção, logística, comércio e distribuição. E, no fim dessa cadeia, é o orçamento familiar que sente cada aumento.

Em Aquidauana, onde milhares de famílias precisam equilibrar alimentação e outras despesas essenciais, acompanhar o custo da cesta de compras tornou-se uma questão não apenas econômica, mas também social.

Colaboradora Voluntária: Islan Carrilho ( Bacharel/Licenciada em Geografia)