
Neste dia 15 de agosto, Aquidauana comemora 134 anos de fundação, reafirmando sua importância histórica, cultural e econômica para Mato Grosso do Sul. Conhecida como o “Portal do Pantanal”, a cidade carrega uma trajetória marcada pela força de seu povo, pela influência dos povos originários e pela preservação de tradições que ajudaram a construir a identidade pantaneira.
Fundada oficialmente em 15 de agosto de 1892 por um grupo de pecuaristas vindos de Miranda, Aquidauana nasceu às margens do rio que lhe empresta o nome. O município surgiu como alternativa para o escoamento da produção agropecuária da região, aproveitando a localização estratégica e evitando os impactos das frequentes enchentes que atingiam o porto de Miranda.
Entre os fundadores estavam importantes lideranças da época, como Estevão Alves Corrêa e o major Teodoro Rondon, personagens que contribuíram para a formação do povoado que, anos mais tarde, se transformaria em uma das principais cidades do interior sul-mato-grossense.
Herança indígena presente no nome e na identidade
Muito antes da fundação oficial da cidade, a região já era habitada por povos indígenas que deixaram marcas profundas na cultura local. O nome Aquidauana tem origem na língua da etnia Guaicuru e significa “rio estreito” ou “rio fino”, uma referência direta ao Rio Aquidauana, principal curso d’água da região.
O rio não apenas deu nome ao município, mas também desempenhou papel fundamental no desenvolvimento econômico, social e cultural da cidade. Registros históricos apontam que a denominação já aparecia em mapas da Bacia do Paraguai desde o século XVII, demonstrando a importância da região muito antes da criação do povoado.
Atualmente, Aquidauana é reconhecida por sua forte ligação com as comunidades indígenas, especialmente os povos Terena, que mantêm vivas tradições, costumes, artesanato, danças e manifestações culturais que enriquecem a identidade do município.
Cultura pantaneira é patrimônio da cidade
Ao longo de seus 134 anos, Aquidauana consolidou-se como um dos principais berços da cultura pantaneira. A influência do homem do campo, da pecuária, das comitivas e das tradições rurais moldou os costumes da população e transformou a cidade em referência quando o assunto é a preservação da cultura regional.
As festas populares, os eventos tradicionalistas, a culinária típica, a música sertaneja de raiz e as manifestações folclóricas fazem parte do cotidiano da população. O município também se destaca pela convivência harmoniosa entre diferentes culturas, reunindo influências indígenas, paraguaias, sul-mato-grossenses e pantaneiras.
Outro importante símbolo cultural é a presença da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), inaugurada na região em 1912. A chegada do trem impulsionou o desenvolvimento econômico e urbano, além de contribuir para a formação de uma identidade própria, marcada pelo encontro de povos e tradições.
Cidade de pioneirismo e desenvolvimento
Aquidauana também ocupa lugar de destaque na história do Estado por seu pioneirismo. Em maio de 1928, tornou-se o primeiro município do então Mato Grosso a contar com energia elétrica, um marco importante para o progresso regional.
A cidade foi elevada à categoria de distrito em 1906 e conquistou sua emancipação político-administrativa em 16 de julho de 1918. Com a criação do Estado de Mato Grosso do Sul, em 1977, passou a integrar a nova unidade federativa, mantendo sua relevância econômica e estratégica para a região pantaneira.
História que atravessa gerações
Além de sua fundação ligada à pecuária, a região guarda importantes capítulos da história brasileira. Próximo ao território aquidauanense existiu a antiga Santiago de Xerez, uma cidadela espanhola fundada em 1600 e destruída em 1632, considerada um dos primeiros núcleos urbanos da região Centro-Oeste.
Também após a Guerra do Paraguai, ex-combatentes do Exército Imperial participaram dos primeiros povoamentos modernos da região, contribuindo para o desenvolvimento local.
Hoje, aos 134 anos, Aquidauana mantém viva sua essência histórica e cultural. Entre o Rio Aquidauana, as paisagens do Pantanal, as tradições indígenas e a força do homem pantaneiro, a cidade segue preservando um legado construído ao longo de mais de um século e que continua sendo motivo de orgulho para seus moradores e para Mato Grosso do Sul.
Escrito por Colaboradora Voluntaria
Islan Carrilho ( Bacharel/licenciada/pós graduada em Geografia UFMS)


