Novas tarifas dos EUA atingem exportações de Mato Grosso do Sul e preocupam setores produtivos

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A decisão do governo dos Estados Unidos de ampliar a cobrança de tarifas sobre produtos brasileiros começou a gerar reflexos em Mato Grosso do Sul. A partir da nova medida anunciada pelas autoridades norte-americanas, itens exportados pelo Estado, como tilápia e rabo bovino, passaram a ser taxados em 12,5%, aumentando os custos de acesso ao mercado americano e elevando a preocupação entre produtores e exportadores.

A nova cobrança foi adicionada à tarifa de 25% já aplicada anteriormente a determinados produtos brasileiros, o que faz com que alguns segmentos enfrentem uma carga tributária ainda mais elevada. Um dos casos mais impactados é o do sebo bovino fundido, que agora acumula tributação total de 37,5% para entrar nos Estados Unidos.

Dados do comércio exterior apontam que o sebo bovino movimentou cerca de R$ 49,9 milhões em exportações para o mercado norte-americano apenas no primeiro semestre de 2026, tornando-se um dos produtos mais sensíveis às mudanças tarifárias.

Tilápia e rabo bovino estão entre os produtos afetados

Entre os itens atingidos pela nova taxação estão a tilápia produzida em Mato Grosso do Sul e o rabo bovino congelado. Nos seis primeiros meses deste ano, as exportações de tilápia renderam aproximadamente US$ 4,07 milhões ao Estado, com o embarque de mais de 500 toneladas do pescado para o exterior.

Já o rabo bovino congelado, embora represente um volume menor de negócios, também integra a lista dos produtos que passam a enfrentar maior dificuldade de competitividade no mercado americano.

Diante desse cenário, representantes dos setores produtivos avaliam estratégias para reduzir os impactos econômicos. Entre as alternativas discutidas está a diversificação dos mercados compradores e o fortalecimento do consumo interno de alguns produtos. No caso do sebo bovino, por exemplo, uma das possibilidades é ampliar sua utilização na produção de biodiesel.

Principais produtos de exportação permanecem sem sobretaxa

Apesar da nova barreira comercial, a maior parte das exportações sul-mato-grossenses para os Estados Unidos continua preservada. Produtos de grande relevância para a economia estadual, como carne bovina, celulose e ferro-gusa, seguem isentos das novas tarifas.

Esses três segmentos representam cerca de 93% de tudo o que Mato Grosso do Sul vende ao mercado norte-americano, o que reduz os impactos gerais da medida sobre a balança comercial do Estado.

Exportações cresceram em 2026

Mesmo com o aumento das restrições comerciais, Mato Grosso do Sul registrou crescimento nas exportações destinadas aos Estados Unidos ao longo de 2026. Dados do setor indicam avanço nas vendas em comparação ao mesmo período do ano passado, demonstrando a importância estratégica do mercado americano para a indústria e o agronegócio sul-mato-grossense.

A nova tarifa foi adotada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontou preocupações relacionadas a práticas trabalhistas em diversos países exportadores. A medida faz parte de uma política comercial mais rigorosa adotada pelo governo norte-americano e pode provocar ajustes nas estratégias de exportação de empresas brasileiras nos próximos meses.

Especialistas avaliam que o desafio agora será ampliar a presença dos produtos sul-mato-grossenses em novos mercados internacionais, reduzindo a dependência de destinos específicos e garantindo maior competitividade para os setores afetados.