Professora usa gírias da internet para conquistar atenção dos alunos em Campo Grande MS

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Uma professora de Campo Grande MS,  encontrou uma maneira inusitada de se aproximar dos estudantes do ensino fundamental e melhorar a disciplina em sala de aula: utilizar expressões virais das redes sociais e do universo dos games. A estratégia, adotada desde o início deste ano, tem chamado a atenção pela eficácia em captar o interesse da chamada geração hiperconectada.

Docente há oito anos em uma escola da Capital, a professora, que preferiu não se identificar, afirma que a linguagem utilizada pelos jovens se tornou uma importante aliada no cotidiano escolar. Entre as expressões adotadas está o popular termo “farmar aura”, uma gíria que ganhou força nas redes sociais e significa acumular carisma, prestígio ou reconhecimento entre os colegas.

Segundo a educadora, frases como “você ganhou 500 de aura agora” funcionam como um reforço positivo e ajudam a manter a atenção da turma. “Eles fazem um silêncio sepulcral. Dizer ‘você ganhou 500 de aura agora’ funciona como um reforço positivo”, relatou.

A iniciativa acabou se transformando em uma espécie de jogo coletivo dentro da sala de aula. Quando precisa de silêncio, por exemplo, a professora recorre a brincadeiras inspiradas no vocabulário digital. “Virou uma brincadeira, quase um sistema de trocas. Às vezes, preciso de silêncio e falo algo como: ‘Vaca amarela pulou a janela, quem continuar falando perde 1.000 de aura’”, explicou.

Além de auxiliar na disciplina, a estratégia também serve como indicador da receptividade dos alunos às aulas. De acordo com a docente, os estudantes participam ativamente da brincadeira e utilizam as mesmas expressões para interagir com ela. “Os alunos adoram. Eles se sentem vistos e entram na brincadeira. Inclusive, isso acaba funcionando como um termômetro para mim. Quando estão gostando da aula, comentam coisas como: ‘Olha lá, a professora está muito auruda hoje’”, contou.

A expressão “farmar aura” tem origem na cultura gamer e se popularizou entre adolescentes da Geração Alpha, tornando-se um fenômeno das redes sociais e até motivando competições presenciais em diversas cidades brasileiras. O termo une a palavra “farmar”, utilizada em jogos para indicar o acúmulo de pontos ou recursos, com “aura”, que representa carisma, estilo e confiança.

Apesar dos resultados positivos no comportamento da turma, a professora ressalta que a prática não substitui os métodos pedagógicos tradicionais nem é utilizada para ensinar conteúdos curriculares. Para ela, o principal objetivo é criar uma conexão genuína com os estudantes.

“Não existe aprendizagem sem conexão. Abraçar a cultura dos alunos é uma forma de construir vínculo e tornar o ambiente escolar mais acolhedor”, destacou.

Especialistas em educação apontam que a utilização de linguagens e ferramentas próximas da realidade dos jovens pode favorecer o engajamento e estimular a participação ativa dos estudantes, desde que utilizada de forma equilibrada e alinhada aos objetivos pedagógicos.