
A construção da ponte internacional da Rota Bioceânica, entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, está prestes a alcançar um dos momentos mais simbólicos de sua execução. A expectativa é que na próxima terça-feira (15) ocorra a união definitiva das duas extremidades da estrutura sobre o Rio Paraguai, fase conhecida na engenharia como “fechamento” ou “encontro das aduelas”.
O marco representa a conexão física entre os territórios brasileiro e paraguaio por meio de uma obra considerada estratégica para a integração logística da América do Sul. Com a conclusão dessa etapa, a ponte passará a ter sua estrutura principal totalmente interligada, embora ainda sejam necessários diversos serviços antes da liberação para o tráfego de veículos.
Com extensão total de 1.294 metros, a ponte é uma das maiores obras de infraestrutura atualmente em execução na região. A estrutura possui 21 metros de largura e foi projetada para ficar a cerca de 35 metros acima do leito do Rio Paraguai, permitindo a navegação de embarcações. Um dos destaques do projeto é o trecho estaiado de 632 metros, sustentado por torres que atingem aproximadamente 130 metros de altura.
O empreendimento recebe investimentos estimados em US$ 100 milhões, com recursos financiados pela Itaipu Binacional, e integra o conjunto de obras da chamada Rota Bioceânica, corredor internacional que pretende conectar o Brasil aos portos do Oceano Pacífico.
Mesmo após a união das estruturas, os trabalhos continuarão nos próximos meses. As equipes ainda deverão executar serviços de pavimentação, implantação de sistemas de iluminação, sinalização, calçadas e demais acabamentos necessários para a operação da ponte. A previsão é que parte dessas etapas seja concluída ainda este ano.
Além da ponte, seguem em andamento as obras de acesso nos dois países. Em Porto Murtinho, estão sendo construídos cerca de 13 quilômetros de rodovia para interligar a estrutura à BR-267, além de viadutos e dispositivos de acesso que garantirão a integração ao sistema rodoviário nacional.
Considerada um dos principais projetos logísticos da América do Sul, a Rota Bioceânica ligará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile, passando por Paraguai e Argentina. A expectativa é reduzir significativamente o tempo de transporte de mercadorias destinadas ao mercado asiático, ampliando a competitividade dos produtos brasileiros no comércio internacional.
Estudos apresentados por órgãos governamentais apontam que o novo corredor poderá diminuir em até duas semanas o tempo de escoamento de exportações em comparação às rotas tradicionais utilizadas atualmente. Produtos como carne bovina, soja, milho, açúcar, celulose e couro estão entre os segmentos que deverão ser beneficiados pela nova ligação internacional.
Para Mato Grosso do Sul, a obra é vista como um divisor de águas para o desenvolvimento econômico, com potencial para atrair investimentos, fortalecer a logística regional e consolidar Porto Murtinho como uma das principais portas de entrada e saída do comércio internacional brasileiro.

