
O Banco Central revisou para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,6% para 2%, segundo dados divulgados no Relatório de Política Monetária publicado nesta semana pela instituição.
A revisão reflete principalmente o desempenho acima do esperado da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, quando o país registrou crescimento de 1,1% em relação aos últimos três meses de 2025. O avanço foi impulsionado pelos setores da agropecuária, indústria e serviços, que apresentaram resultados positivos no período.
De acordo com o Banco Central, a melhora das perspectivas também está relacionada ao fortalecimento da demanda interna, ao aumento do consumo das famílias e à ampliação dos investimentos realizados pelo setor produtivo. Programas de estímulo fiscal e linhas de crédito voltadas à economia contribuíram para o cenário mais favorável.
Apesar da revisão positiva para o crescimento, a autoridade monetária mantém atenção ao comportamento da inflação. O relatório aponta que os índices de preços continuam pressionados por fatores internos e externos, especialmente pelos custos de combustíveis, alimentos e commodities no mercado internacional.
Em maio, a inflação oficial do país acumulada em 12 meses atingiu 4,72%, acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%. O Banco Central avalia que a inflação ainda deverá permanecer elevada ao longo de 2026 antes de apresentar desaceleração mais consistente nos anos seguintes.
Outro destaque do relatório é a política de juros. Após um período de taxas elevadas para conter a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um ciclo gradual de redução da taxa Selic. Atualmente, os juros básicos da economia estão em 14,25% ao ano, após três cortes consecutivos.
O documento também aponta que o crédito deverá continuar crescendo em 2026, embora em ritmo mais moderado que nos anos anteriores. Programas voltados para famílias, microempreendedores e pequenas empresas devem contribuir para manter o acesso ao financiamento e estimular a atividade econômica.
No setor externo, a projeção para o déficit em transações correntes foi reduzida, impulsionada pelo desempenho das exportações brasileiras. Produtos como soja, carne bovina e petróleo seguem entre os principais responsáveis pela entrada de divisas no país, beneficiados pela demanda internacional e pela valorização dos preços no mercado global.
Mesmo diante das perspectivas mais otimistas, o Banco Central ressalta que o cenário econômico continua sujeito a incertezas, especialmente em razão dos conflitos internacionais e seus reflexos sobre os preços de energia, alimentos e matérias-primas. Ainda assim, a expectativa é de que a economia brasileira mantenha trajetória de crescimento em 2026, sustentada pelo fortalecimento do consumo, dos investimentos e da produção nacional.

