Pantanal registra maior perda de água entre os biomas brasileiros e acende alerta ambiental

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O Pantanal apresentou em 2025 a maior redução de superfície de água entre todos os biomas brasileiros, reforçando os sinais de mudanças no regime hídrico da maior planície alagável do planeta. Os dados fazem parte do mais recente levantamento do projeto MapBiomas Água, que monitora a dinâmica dos recursos hídricos em todo o território nacional.

Segundo o estudo, a área coberta por água no Pantanal ficou 56% abaixo da média histórica registrada entre 1985 e 2025. O bioma foi o único do país a permanecer abaixo dos índices médios durante todos os meses do ano, evidenciando a intensidade da estiagem enfrentada pela região.

O levantamento também aponta Mato Grosso do Sul como o estado brasileiro que mais perdeu superfície hídrica em relação à média histórica. A redução estimada foi de 527 mil hectares, resultado que reflete diretamente o cenário observado no Pantanal sul-mato-grossense.

Especialistas destacam que as transformações registradas nos últimos anos indicam alterações significativas no ciclo natural das águas. Historicamente marcado por períodos alternados de cheias e secas, o Pantanal tem enfrentado estiagens mais prolongadas e redução na intensidade das inundações, fenômeno que impacta a biodiversidade, a pesca, a pecuária e diversas atividades econômicas ligadas ao bioma.

A situação também é observada na Bacia do Alto Paraguai, considerada fundamental para a manutenção do equilíbrio ambiental pantaneiro. De acordo com o levantamento, a Região Hidrográfica do Paraguai apresentou perda de 877 mil hectares de superfície de água em comparação com sua média histórica, representando uma redução superior a 50%.

Entre os municípios mais afetados estão áreas diretamente ligadas ao Pantanal. Corumbá lidera o ranking nacional de redução da superfície hídrica, com perda estimada de 474 mil hectares em relação à média histórica. Já Cáceres registrou redução de aproximadamente 189 mil hectares.

Pesquisadores ressaltam que mais de 99% da água presente no Pantanal é formada por corpos hídricos naturais, tornando o bioma altamente dependente do ciclo sazonal de cheias e vazantes. Qualquer alteração nesse equilíbrio pode provocar impactos significativos sobre a fauna, a flora e os serviços ambientais prestados pela região.

Nos últimos anos, o Pantanal tem enfrentado eventos climáticos extremos, incluindo secas severas e incêndios florestais de grandes proporções. Especialistas apontam que fatores como mudanças climáticas, alterações no uso da terra e a variabilidade climática contribuem para a intensificação desses fenômenos.

Os resultados divulgados pelo MapBiomas reforçam a necessidade de ações voltadas à conservação dos recursos hídricos e à proteção dos ecossistemas pantaneiros. Para ambientalistas e pesquisadores, compreender a dinâmica das águas é fundamental para o planejamento de políticas públicas capazes de garantir a preservação de um dos mais importantes patrimônios naturais do Brasil e do mundo.

O Pantanal ocupa áreas dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e é reconhecido internacionalmente por sua rica biodiversidade, sendo considerado uma das regiões ecológicas mais importantes da América do Sul.