
Dois irmãos, uma menina de 8 anos e um menino de 6, que testemunharam o assassinato da própria mãe em um caso de feminicídio ocorrido em Corumbá, passaram a receber acompanhamento psicológico e assistência social por meio de programas mantidos pelo Governo de Mato Grosso do Sul. A iniciativa busca oferecer proteção, suporte emocional e melhores condições de vida para crianças e adolescentes afetados pela violência contra a mulher.
A mãe das crianças, de 22 anos, foi morta em agosto de 2025 em uma propriedade rural do município pantaneiro. Desde então, os irmãos estão sob os cuidados da avó, que também é responsável por outro neto de 7 anos. Além do desafio emocional provocado pela perda, a família enfrenta dificuldades financeiras e depende do apoio da rede de proteção social.
Atualmente, as crianças são beneficiárias do Programa Recomeços, que assegura um auxílio mensal equivalente a um salário mínimo, destinado a filhos de vítimas de feminicídio. O benefício tem como objetivo contribuir para a manutenção das necessidades básicas e garantir acesso a acompanhamento especializado.
Além do auxílio financeiro, os irmãos recebem atendimento psicológico por meio da rede pública de ensino, enquanto a avó foi incluída no Programa Mais Social, que oferece um cartão para aquisição de alimentos, fortalecendo a segurança alimentar da família.
Criado pelo Governo do Estado, o Programa Recomeços atende mulheres vítimas de violência doméstica que deixam casas de acolhimento e também crianças e adolescentes que perderam suas mães em decorrência do feminicídio. A proposta é promover autonomia, acolhimento e reconstrução da vida das famílias impactadas pela violência.
De acordo com a Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead), o programa oferece suporte financeiro e acesso a serviços essenciais, incluindo acompanhamento psicológico, assistência médica e orientação social.
Atualmente, dezenas de pessoas são atendidas pela iniciativa em Mato Grosso do Sul, entre mulheres em processo de recomeço e filhos de vítimas de feminicídio. Paralelamente, o Programa Mais Social beneficia milhares de famílias em situação de vulnerabilidade econômica em diversas regiões do Estado.
O caso ocorrido em Corumbá evidencia os impactos duradouros da violência doméstica e reforça a importância das políticas públicas voltadas à proteção das vítimas indiretas do feminicídio. Especialistas apontam que o acolhimento psicológico e o suporte financeiro são fundamentais para minimizar os traumas e garantir perspectivas de futuro para crianças e adolescentes que enfrentam situações extremas de violência.
Enquanto o processo criminal segue em andamento e aguarda julgamento, a família busca reconstruir a rotina com o apoio da rede de assistência social. A expectativa é que as medidas oferecidas contribuam para assegurar dignidade, proteção e novas oportunidades às crianças que tiveram suas vidas marcadas por uma tragédia irreparável.

