
O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, passou a enfrentar um novo cenário jurídico após perder a cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). Condenado a mais de 15 anos de prisão por crimes relacionados à organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho, ele deixa de contar com a imunidade parlamentar prevista para integrantes do Legislativo estadual.
A mudança na composição da Assembleia ocorreu após decisão da Justiça Eleitoral, que determinou a recontagem dos votos das eleições de 2022 em Mato Grosso do Sul. A revisão aconteceu depois da anulação de votos ligados ao Partido Liberal (PL), conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com a nova totalização, Neno Razuk perdeu o mandato e a vaga passou para João César Mato Grosso Pereira, primeiro suplente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que assumirá o cargo hoje sexta-feira (22).
Especialistas apontam que, embora a decisão não represente prisão imediata, a saída do Parlamento elimina uma das principais garantias jurídicas que protegiam o ex-deputado contra eventual cumprimento imediato da pena em regime fechado. Enquanto exercia o mandato, ele contava com prerrogativas constitucionais que limitam a prisão de parlamentares, salvo em situações específicas previstas em lei.
A condenação de Neno Razuk foi resultado da Operação Sucessione, investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual por meio do Gaeco para apurar a atuação de grupos ligados ao jogo do bicho em Campo Grande.
Segundo as investigações, a organização criminosa disputava áreas de atuação deixadas após o enfraquecimento de grupos investigados anteriormente na Operação Omertá. A Justiça considerou comprovada a participação do grupo em crimes como exploração de apostas ilegais, roubos e organização criminosa.
Durante as apurações, foram identificados imóveis utilizados como base operacional do esquema, além da apreensão de centenas de máquinas relacionadas à atividade ilegal.
A alteração na composição da Assembleia também provoca impacto político no Legislativo estadual. Com a perda da vaga, o PL reduz sua bancada para seis deputados estaduais, enquanto o PSDB amplia a representação para quatro parlamentares.

