
O mês de abril iniciou-se sob a cor azul, símbolo global da luta pela conscientização do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em Mato Grosso do Sul, a campanha ganha contornos oficiais e força institucional através da Lei Estadual 5.721/2021, de autoria do deputado Antonio Vaz, que integra o “Abril Azul” ao calendário oficial de eventos do Estado.
A iniciativa visa dar visibilidade a uma realidade que atinge cerca de 29 mil sul-mato-grossenses, segundo dados do Observatório da Cidadania baseados no Censo 2022. O índice de prevalência no estado (1,1%) caminha lado a lado com a média nacional, reforçando a necessidade de políticas públicas robustas e acolhimento social.
As estatísticas revelam um cenário importante para o planejamento de saúde e educação:
-
Gênero: Há uma predominância masculina, com 60,7% dos casos, contra 39,3% em mulheres.
-
Faixa Etária: A maior concentração de diagnósticos está na infância, somando mais de 7,6 mil crianças entre 0 e 9 anos.
-
Diagnóstico Precoce: Especialistas como a terapeuta ocupacional Lilianthea Lopes e a fisioterapeuta Daniella Scudler destacam que a intervenção nos primeiros anos de vida aproveita a plasticidade cerebral, otimizando ganhos em comunicação e autonomia.
Para além dos números, o Abril Azul dá voz a trajetórias pessoais. A servidora Michelle Dibo Nacer Hindo relata que a jornada com o filho, João Eduardo, a levou ao seu próprio diagnóstico. “O diagnóstico não é o fim, é o começo”, afirma Michelle, que hoje atua na defesa dos direitos dos autistas.
O sentimento de orgulho e aprendizado também é compartilhado por pais como Marcio Podolsk, pai dos gêmeos Lucas e Luís Miguel, e Ana Claudia Seles, mãe do pequeno Arthur, que veem no diagnóstico a chave para um futuro com menos limitações e mais respeito.
Apesar dos avanços legislativos, o setor produtivo e as entidades sociais apontam gargalos. A presidente da Associação de Pais e Amigos do Autista de Campo Grande (AMA-CG), Neide Salvador Pacheco, alerta para a realidade crítica das famílias:
-
Atendimento: A entidade atende 170 pessoas, mas possui uma fila de espera com mais de 700 nomes.
-
Vulnerabilidade: Cerca de 60% das famílias atendidas vivem em situação de vulnerabilidade social, dificultando o acesso a terapias complementares privadas.
A campanha Abril Azul vai além da iluminação de monumentos. Ela busca educar a sociedade sobre as particularidades do TEA, que envolvem diferentes formas de comunicação e interação social.
A legislação sul-mato-grossense incentiva a participação de órgãos públicos e empresas privadas em ações educativas, reforçando que a inclusão é um dever coletivo. Como ressaltado pela Assembleia Legislativa (ALEMS), o objetivo final é garantir que a diversidade seja vista como parte essencial da sociedade, assegurando dignidade e oportunidades iguais para todos.

